protesto

Entregadores do iFood realizam segundo dia de paralisação

Categoria reivindica aumento da taxa mínima de entrega e fim das banições injustas

Ana Luisa Araujo
postado em 02/04/2022 15:46 / atualizado em 02/04/2022 16:20
 (crédito: Arquivo pessoal)
(crédito: Arquivo pessoal)

Fundador e presidente da Associação dos Motofrentistas Autônomos e Entregadores do Distrito Federal (Amae-DF), Alessandro da Conceição, popularmente conhecido como Sorriso, afirmou ao Correio que os entregadores, há muito tempo, vem lutando contra o banimento injusto da plataforma. Segundo ele, a luta e a paralisação que ocorrerão até este domingo (3), também são reivindicando o aumento da taxa mínima de entrega. Apesar de representantes do iFood anunciarem que, mesmo com a greve, a entrega dos pedidos não seria afetada, usuários brasilienses relataram dificuldade na hora de pedir lanches. 

O Ifood informou que a plataforma inicia, neste sábado (2), o aumento dos ganhos dos mais de 200 mil entregadores. Com a promessa, os motoboys passarão a receber R$ 6 de valor mínimo da rota, que antes era R$ 5,31, e R$ 1,50 no valor mínimo do quilômetro rodado.

"Pedimos pelo fim das rotas duplas, e queremos uma justificativa plausível quando um motoboy é banido do aplicativo", afirma o representante da classe. Sorriso esclarece que quando os trabalhadores logam em um novo aparelho, seja por roubo ou troca do antigo celular, o aplicativo entende como empréstimo da conta ou aluguel da conta, o que não é permitido pelas regras do iFood.

No entanto, Sorriso alega que está com o depoimento de mais de 30 entregadores que tiveram expulsões arbitrárias. "É sempre uma mensagem vaga, mal explicada. Queremos uma transparência do Ifood, uma resposta concreta", declara.

Além desse problema, alguns motociclistas são banidos por "alta remuneração". Sorriso argumenta que, apesar do motivo, o aplicativo não estabelece uma cota máxima de remuneração. Até as expulsões que ocorrem por essa razão não parecem ter um sentido claro, uma vez que entregadores que fazem R$ 200 por semana são banidos assim como os que fazem R$ 500.

"Essas pessoas dependem do aplicativo para pagar as contas, alimentar sua família e filhos", desabafa o representante da classe. "Tem pessoas que estão até entrando em depressão", continua.

Em janeiro, o iFood prometeu transparência. Na avaliação de Sorriso, a promessa não tem sido cumprida. "Eles disseram que ia ter um aviso de três dias nos casos de banimento, mas isso não aconteceu", relata.

Sorriso diz que, nos três dias de protesto, os motociclistas estarão protestando com faixas e cartazes em frente a grandes shoppings, e não estarão circulando. 

CUT

A Central Única dos Trabalhadores apoia a causa e informa que a paralisação não começou em 1º de abril, conhecido como dia da mentira, por acaso. "A data foi pensada estrategicamente para denunciar as mentiras da plataforma iFood, que tem deixado de cumprir acordos firmados com a categoria", afirma.

Segundo a entidade, nos dias 13, 14 e 15 de dezembro, a empresa de entrega de alimentos e encomendas realizou o I Fórum de Entregadores do Brasil, onde recebeu as pautas dos trabalhadores e se comprometeu em atendê-las. A CUT informa que dois meses depois nada foi feito.

 

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