Cultura

Artista usa técnica japonesa e material brasileiro para criar cerâmica

Com a combinação de técnicas milenares japonesas e a matéria-prima brasileira, o artista Honjo Masayuki desenvolve peças singulares, que estão expostas na Galeria de Arte do Templo da Boa Vontade, até 31 de julho

Paulo Martins*
postado em 08/05/2022 06:00
As obras estão disponíveis para compra. Há produtos, como pratos, de R$ 100, e vasos, que chegam a R$ 3 mil -  (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)
As obras estão disponíveis para compra. Há produtos, como pratos, de R$ 100, e vasos, que chegam a R$ 3 mil - (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)

Retomando a agenda cultural após o fim das restrições provocadas pela pandemia, a Galeria de Arte do Templo da Boa Vontade (TBV), reaberta desde 2 de abril, traz uma mostra de cerâmica japonesa do artista Honjo Masayuki, 68 anos. A exposição oferece ao público a junção da cultura e tecnologia nipônica com a matéria-prima 100% brasileira. As peças exibidas, de várias formas e tamanhos, podem ser adquiridas pelo público.

Honjo trabalha com cerâmica há duas décadas e fala sobre os benefícios de realizar esse tipo de arte. "Aprendi por casualidade, por hobbie. E, com isso, são oito anos fazendo exposições, sempre em Brasília. Hoje, é uma paixão própria, é como um tranquilizante, me traz harmonia", relata. O artista nipônico expõe suas obras na galeria do Templo da Boa Vontade há seis anos. 

O processo de produção é dividido em quatro etapas: extração e adaptação da matéria bruta, modelagem, queima e limpeza. Em todo o andamento, o uso do calor é fundamental, passando pela desidratação, transformação e vitrificação. Até a etapa de descanso, a exposição do material ao fogo em temperaturas que vão de 500°C a 1.250°C.

O uso de óxidos na matéria-prima cria peças artesanais únicas, sem componentes químicos, como destaca Honjo. "É uma tecnologia desenvolvida no Japão. Na parte de maior calor, uma peça fica exposta por seis horas, aos 1.250°. Às vezes, todo o processo demora um ano; em outras ocasiões, três meses", explica.

Método

A chave para o sucesso metodológico de cada peça artística é o estudo em tecnologias. "Cada ceramista utiliza a sua. Por meio da pesquisa, entende-se as características de cada etapa e de cada conteúdo. Essa tecnologia que eu utilizo (chamada de yakishime) tem mais de mil anos. O controle do fogo é o mais importante, e o aquecimento certo é fundamental para uma peça perfeita", detalha.

As peças ganham as cores e os desenhos durante o processo de fabricação, sempre diferente uma da outra
As peças ganham as cores e os desenhos durante o processo de fabricação, sempre diferente uma da outra (foto: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)

Não somente de técnicas orientais é feita a cerâmica de Honjo. O artista, que mora no Brasil há 12 anos, produz as obras em uma fazenda de Anápolis (GO), onde o produto final do japonês tem, no DNA, o Brasil. "A argila brasileira favorece muito a produção. Por ser mais maleável, ela combina muito bem com a cerâmica", pondera o ceramista. A variedade das peças respeita a naturalidade do processo, adquirindo uma coloração natural a partir da queima, sem que seja feita a pintura dos artigos.

Todos as obras da exposição estão disponíveis para venda, desde itens como pratos, com preços a partir de R$ 100, até refinados vasos, que chegam a custar entre R$ 2 mil e R$ 3 mil. Elementos de um conjunto de louças estão entre os mais acessíveis, com o mais caro sendo avaliado em R$ 250. Um par de peças complementares com o símbolo de yin e yang (tradicional na cultura asiática), custa R$ 500.

A mostra está aberta ao público até 31 de julho, e recebe visitantes todos os dias, incluindo feriados e finais de semana, no Templo da Boa Vontade, na 915 Sul, das 8h às 20h. A entrada é franca, com classificação indicativa livre. Para mais informações, ligue no 3114-1070 ou no 3114-1023.

*Estagiário sob a supervisão de Guilherme Marinho

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