ECONOMIA

Frente fria prevista para chegar ao DF esta semana anima comerciantes

Termômetros do DF devem chegar a 5°C esta semana. Previsão é de elevar vendas de casacos e cobertores em até 8%, segundo Sindivarejista. Com as temperatutas baixas, o brasiliense deve tomar alguns cuidados

Ana Isabel Mansur
postado em 17/05/2022 05:58 / atualizado em 17/05/2022 05:59
Dono de uma loja de roupas e calçados femininos, Thiago Maia aposta nas botas para a estação mais fria -  (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)
Dono de uma loja de roupas e calçados femininos, Thiago Maia aposta nas botas para a estação mais fria - (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)

As baixas temperaturas que devem chegar ao Distrito Federal nesta semana têm animado o setor de produtos para o frio. As vendas para a estação outono/inverno devem subir 8% em 2022 na comparação com o ano passado, de acordo com o Sindicato do Comércio Varejista do DF (Sindivarejista). Em 2020 e 2021, os lucros do período caíram 5% em relação a 2019, principalmente por conta da pandemia da covid-19. Somado à frente fria que se aproxima do DF, o aumento da circulação de pessoas devido à ampla cobertura vacinal contra a doença — cuja aplicação de duas doses ou da dose única atinge 83,5% dos brasilienses acima de 5 anos — contribui para elevar a expectativa dos estabelecimentos.

Entre os vendedores, a previsão é mais positiva do que a do Sindivarejista, e alguns deles esperam um movimento até 30% maior do que em 2021. As temperaturas no DF, que devem variar de 5ºC a 20ºC, entre quinta-feira (19/5) e sexta-feira (20/5), adiantam a saída dos produtos de inverno. De acordo com o sindicato, calças, casacos, cobertores e mantas são os itens mais procurados pelos consumidores.

Alessandra Velasques, gerente da loja Zelo no Conjunto Nacional, confirma a previsão. O estabelecimento oferece roupas de cama, mesa e banho e deve perceber saída maior de edredons, cobertores e mantas. "Com a frente fria, esperamos que as vendas aumentem, no mínimo, 30%, em relação a 2021 e a 2020. Esses dois anos de pandemia foram praticamente iguais em termos de lucros", compara a gerente, que mantém expectativa de atingir os níveis anteriores à crise sanitária.

Outras mercadorias

Na loja Sapato da Corte & Dress Côrte do Sudoeste, as botas são as estrelas da estação. O estabelecimento espera lucrar entre 15% e 20% a mais em 2022 do que no ano passado, e fechar o período com alta de até 40% na comparação com 2020. "A expectativa é a melhor possível, a sensação é de lavar a alma. A vida voltou, finalmente", comemora Sueli Maia Barbosa, uma das responsáveis pelo local, que comercializa bolsas, roupas e calçados femininos. "O que nos deixa mais felizes é a frente fria e os eventos, que voltaram, como as festas juninas. É uma época maravilhosa, uma injeção de ânimo. Estávamos precisando e merecendo. Nosso objetivo é voltar ao patamar de 2019", deseja.

Cachecóis, casacos, cobertores, mantas e edredons devem ser os produtos mais comercializados para o inverno
Cachecóis, casacos, cobertores, mantas e edredons devem ser os produtos mais comercializados para o inverno (foto: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)

Thiago Maia, à frente da parte administrativa do estabelecimento, revela que, desde abril, o cenário tem sido bastante animador. "O mês das mães está muito bom, bem melhor do que no ano passado, e esse fluxo deve continuar. Nossa clientela gosta muito do inverno. Com frio, então, facilita mais ainda, faz com que queiram se vestir melhor. Compramos muito, esperando que o semestre seja bom", conta Thiago.

Na Artchê, loja especializada em artigos para o frio, os ânimos não estão tão altos como nos outros estabelecimentos, mas a expectativa é positiva. "Espero que (o período) seja melhor. Se for 10% a mais (do que em 2021) já fico bem feliz. Não dá para ser muito otimista, é melhor ser realista", pondera Gleusa Dornelles, proprietária do local. Ela acredita que o retorno das viagens internacionais também impulsione o movimento. "As fronteiras estão abertas, as pessoas estão indo para países como Argentina e Chile. 2020 foi péssimo, passei por uma situação muito difícil. Só não quebrei, porque minha empresa é estruturada, então, conseguimos levar em frente", relembra Gleusa, que espera superar o cenário de 2020 em, pelo menos 20%, neste ano. "Em 2021, ainda estávamos na UTI e, agora, saímos. Estamos no quarto", compara a proprietária.

Moda

Com as baixas temperaturas, a tendência dos brasilienses é montar um look com várias peças. No entanto, como dita um dos mantras da moda: menos é mais. "As pessoas acham que têm que colocar um monte de camadas, mas temos que pensar nas roupas certas para o frio. A cor e o tecido podem influenciar nisso, por exemplo", explica a consultora fashion e de imagem Júlia Bianchetti.

Uma opção é recorrer à terceira peça. "Use camadas de roupas mais justas ao corpo, um casaco, blazer ou cachecol. Assim, você pode vestir o look completo de manhã e, nas horas mais quentes do dia, basta tirar algumas peças para sobreviver ao calor e sol", aconselha Júlia. Além das peças, especialista em moda diz que pensar nas cores das roupas é fundamental. "O preto, o cinza e o vinho são tons que costumam manter a temperatura do corpo e aquecem mais. Então, uma alternativa é escolher cores escuras", afirma.

 

Efeitos que requerem atenção

Apesar do frio, deve-se procurar ficar em locais abertos, para evitar contato com vírus -  (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)
crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

Vento gelado, vontade de ficar mais tempo em casa e céu nublado. Essas são algumas das características clássicas de que o frio chegou e, no DF, não é diferente. O inverno começa, oficialmente em 21 de junho, mas, a 35 dias da estação, será preciso tirar casacos e botas do armário. De acordo com o meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) Heráclio Alves, é comum ver baixas temperaturas neste período. "Estamos na metade do outono, mas já começamos a ter essas características de frio, o que contribui para a preparação da chegada do inverno no DF", explica.

Para se proteger do frio, é comum que as pessoas recorram, seja no trabalho ou em casa, a locais fechados, sem ventilação, aumentando as chances de infecção por vírus. Mas, de acordo com a infectologista Joana D'Arc, a alternativa não é a melhor escolha. "O ambiente fechado é chamado de área vermelha, porque a possibilidade de suspensão de partículas é maior, e o risco de circulação de vírus sazonais também", alerta.

Segundo a infectologista, é importante que, mesmo com o frio, os brasilienses optem por ambientes que ofereçam melhor ventilação, com troca de ar. "Caso não exista essa possibilidade, é preciso usar filtros nos ambientes, e as empresas devem manter a limpeza para circulação de um ar mais limpo", pontua.

Se apresentar sintomas respiratórios, Joana diz que é importante não se esquecer das máscaras. "É uma rotina que ajuda a proteger o próximo. E, de preferência, manter as etiquetas respiratórias. Coloque o antebraço para conter a explosão de partículas", aconselha.

Plantas

Faça calor ou faça frio, seja dentro de casa, no apartamento ou no jardim, as plantas requerem cuidados e, quando as temperaturas caem, as folhas tornam-se mais sensíveis. Isso porque, de acordo com o agricultor urbano Juarez Martins, durante o outono e o inverno, há mudanças no funcionamento da flora. "Nós ficamos mais moles, devagar. E com as plantas não é diferente. Elas diminuem o metabolismo e, por isso, as folhas começam a cair, economizam água", detalha.

Para driblar isso, o agricultor diz que uma das dicas é fazer com que as plantas tomem o máximo de sol possível. "Os períodos do dia ficam mais curtos, e isso significa menos luz para as plantas. Então, levando elas para tomar sol, ajudamos a fazer com que tenham uma fonte de calor para receber. É o momento de alimentá-las, para que, depois, se desenvolvam melhor e, dessa forma, evitamos que as plantas sofram com o frio. A poda ajuda para que não exista desperdício de seiva, por exemplo", enumera.

Juarez Martins ensina uma receita de adubo caseiro para garantir a saúde das plantas, sejam árvores ou vasoso de flores. "Basta pegar borra de café, casca de banana e casca de ovo. Ponha para secar em um forno alguns minutos e depois triture para formar uma mista. Coloque de uma a duas colheres de sopa em casa vasinho que vai ajudar a planta a passar bem o período. Na primavera, elas vão dar muitas flores, porque foram bem cuidadas", adianta.

Animais domésticos

Os bichinhos pedem atenção especial durante a época do frio. Médica veterinária, Layanne Peres de Souza aconselha deixar os animais aquecidos, em locais protegidos. "Manter sempre o pet agasalhado, com roupinhas e cobertas. Deixar a casinha do pet devidamente aquecida e, se for no quintal, deixar uma coberta por cima", sugere.

Os cuidados com a saúde dos animais deve ficar sob o alerta dos tutores. "Vacinar o pet contra a gripe. Se for necessário tomar banho neste período, que seja rápido e com água morna. Lembrar de caprichar na secagem depois. Evitar ao máximo os passeios em horários mais frios, mesmo que agasalhado e com roupinhas", alerta Layanne.

Ar polar

Uma massa de ar polar fria e seca, vinda do Polo Sul, começa a entrar no Brasil, pela Região Sul, e deve chegar ao Centro-Oeste a partir desta quarta-feira (18/5), levando à queda nas temperaturas do DF. A friaca ocorre por conta da intensidade dessa massa de ar. Mas, por ser uma frente fria e seca, não há formação de nuvens e chuva. Para estes dias, portanto, não há possibilidade de precipitações.

 

O tempo

Terça-feira (17 de maio): de 16ºC a 27ºC

Quarta-feira (18 de maio): de 10ºC a 22ºC

Quinta-feira (19 de maio): de 5ºC a 21ºC

Sexta-feira (20 de maio): de 6ºC a 23ºC

Sábado (21 de maio): de 10ºC a 26ºC

Fonte: Inmet

 

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