Desastres naturais

"Acordei com a casa caindo em mim", diz vítima de enxurrada no Sol Nascente

Francisco de Oliveira, 27 anos, morador da Chácara 89, do Sol Nascente, perdeu a casa e fraturou a perna após ser carregado pela enxurrada da última sexta-feira (19/11)

Ana Maria Pol
postado em 21/11/2022 14:34 / atualizado em 21/11/2022 14:34
Francisco de Oliveira, 27 anos, morador da Chácara 86, do Sol Nascente, perdeu a casa e saiu ferido, após ser carregado pelas enxurradas da última sexta-feira (19/11) -  (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A.Press)
Francisco de Oliveira, 27 anos, morador da Chácara 86, do Sol Nascente, perdeu a casa e saiu ferido, após ser carregado pelas enxurradas da última sexta-feira (19/11) - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A.Press)

Debaixo de chuva forte, sob raios e trovões, Francisco de Oliveira, 27 anos, morador da Chácara 89, do Sol Nascente, ficou pendurado em uma árvore por cerca de 1h30 até conseguir ser resgatado por um vizinho. A casa em que ele vivia foi arrastada pela enxurrada enquanto ele dormia. Sem pregar os olhos desde sexta-feira (18/11), quando as residências foram arrastadas ou parcialmente derrubadas pela enxurrada provocada pelo transbordamento de três bacias de contenção, Francisco se recupera da fratura na perna e convive com as lembranças dos momentos de terror. "Eu só consigo pensar no som da chuva e no barulho da casa caindo".

Francisco mora no Sol Nascente há três anos. "Eu estava em casa, cheguei do serviço, bebi água e deitei. A chuva começou e só pedia a Deus que nos protegesse. Ai eu acordei já com a casa caindo em cima de mim", recorda. Ele se levantou e, ao sair de casa, o cachorro Zeus pulou em seus braços com medo. Os dois acabaram levados pela correnteza. "Eu cheguei a gritar para o meu vizinho, que tem esposa e duas filhas, tomar cuidado. Quando parei de falar, a água já estava me levando para dentro desse mato".

Segundo o homem, no meio do percurso, enquanto era levado pela chuva, precisou soltar o cachorro. "Eu vi que não dava mais para sustentar o cachorro, tive que soltar. Me agarrei a uma árvore pequena, do tamanho de uma bananeira, fina. Quando vi, já estava sem pele na mão e no pé, com minha perna machucada, sem roupa", cita.

Quando achou que estava em segurança, agarrado à arvore, ele caiu e se arrastou até outra árvore, maior. Mesmo quase sem forças, Francisco conseguiu subir e começou a gritar por socorro. "Pedi a Deus que não me deixasse morrer", lembra.

Relâmpagos e trovões fizeram a sinfonia daquela noite, que ficará marcada como "o pior momento" da vida de Francisco. Após subir um morro, se arrastando, o homem, que trabalha como motoboy, conseguiu a ajuda de um conhecido. "Lá, tomei um banho, os bombeiros chegaram e me levaram pro hospital", recorda.

  • Francisco de Oliveira, 27 anos, morador da Chácara 86, do Sol Nascente, perdeu a casa e saiu ferido, após ser carregado pelas enxurradas da última sexta-feira (19/11) Marcelo Ferreira/CB/D.A.Press
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  • Francisco de Oliveira, 27 anos, morador da Chácara 86, do Sol Nascente, perdeu a casa e saiu ferido, após ser carregado pelas enxurradas da última sexta-feira (19/11) Marcelo Ferreira/CB/D.A.Press
  • Francisco de Oliveira, 27 anos, morador da Chácara 86, do Sol Nascente, perdeu a casa e saiu ferido, após ser carregado pelas enxurradas da última sexta-feira (19/11) Marcelo Ferreira/CB/D.A.Press

Descaso

Para Francisco, o ocorrido da noite de sexta-feira (21/11) só aconteceu por descaso do governo. Com lágrimas nos olhos, o motoboy diz: "Eu só sabia pensar na minha mãe e no meu pai, foi quem me deu forças para viver", reitera. Quanto a Zeus, ele foi encaminhado para uma clínica, para tratamento. "Meus pais vão ver se conseguem mandar algo, porque somos de família pobre. Eu estou sem nada, perdi tudo, agora só tenho a minha vida", completa.

Enxurradas

As enxurradas na região aconteceram entre a noite da última sexta-feira (18/11) e a madrugada de sábado (19/11). Segundo informações do Governo do DF, uma bacia de contenção transbordou, devido a um entupimento causado pelo lixo que se acumulou. “Cabe ressaltar que a limpeza no local tem sido feita de forma recorrente, mas neste período de chuva, o lixo jogado pela população acaba sendo arrastado para diversos locais durante esse tipo de transbordamento”, destacou o GDF, em nota.

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