
Após quase um ano de internação, o médico pediatra Clóvis, de 72 anos, deixou por algumas horas a rotina restrita do leito hospitalar para viver uma experiência fora do comum: uma sessão de cinema preparada especialmente para ele. A iniciativa foi organizada pelo Hospital Brasília como parte de um conjunto de ações voltadas à humanização do cuidado.
Clóvis está internado desde que passou por uma cirurgia abdominal e segue em tratamento contínuo, acompanhado por diferentes equipes assistenciais. Apesar da complexidade do quadro clínico, o paciente encontra-se estável. Ao longo dos meses, no entanto, profissionais de saúde perceberam sinais de desânimo, pouco engajamento nas atividades terapêuticas e isolamento emocional, efeitos comuns em internações prolongadas.
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Atenta a esse contexto, a equipe multiprofissional decidiu ir além dos protocolos clínicos e investir em uma intervenção simbólica, voltada ao bem-estar emocional do paciente. A proposta foi simples e afetiva: organizar uma sessão de cinema fechada, com a presença da família, para resgatar memórias e estimular a reconexão com a vida fora do hospital.
O filme escolhido foi Tom e Jerry, clássico que atravessa gerações e remete à infância, um gesto especialmente significativo para um médico que dedicou a carreira ao cuidado de crianças. A experiência permitiu que Clóvis saísse do quarto e vivenciasse um momento de prazer.
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Segundo a instituição, ações como essa fazem parte de uma política de humanização que reconhece o impacto da saúde emocional no processo de recuperação. “Cuidar vai além do tratamento médico. Envolve olhar para a história, os afetos e as necessidades subjetivas de cada paciente”, destacou a equipe responsável pela iniciativa.
Mais do que uma sessão de cinema, o momento representou uma pausa na dureza da internação e um lembrete de que, mesmo em contextos de longa permanência hospitalar, é possível criar experiências que devolvam dignidade, esperança e sentido ao cuidado.
