Investigação

Mortes em UTI: técnica presa nega crime e descreve Marcos como "manipulador"

Por meio do advogado, Amanda Rodrigues negou ter qualquer tipo de envolvimento nos homicídios ocorridos na UTI do Hospital Anchieta

Os técnicos de enfermagem Marcela, Marcos e Amanda estão presos -  (crédito: Reprodução/Redes sociais)
Os técnicos de enfermagem Marcela, Marcos e Amanda estão presos - (crédito: Reprodução/Redes sociais)

Presa na Penitenciária Feminina do DF, Amanda Rodrigues de Sousa, 28 anos, investigada no inquérito que apura a morte de três pacientes internados na UTI do Hospital Anchieta, negou os fatos em conversa com o advogado de defesa, Leonardo Torres. As informações foram repassadas em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (23/1).

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

Em pouco mais de uma hora de conversa, Amanda, de dentro da cadeia, conversou e respondeu aos questionamentos feitos pelo advogado. Segundo o defensor, abatida e transtornada, Amanda negou veementemente a participação em qualquer uma das mortes.

Relatou, referindo-se às imagens das câmeras analisadas pela polícia, que, na UTI, é comum virar o rosto de um lado para o outro. “Ela disse que nunca colaborou com ele. Em nenhum momento, o viu manipular a substância nas vítimas. Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24, — também preso — era até respeitado na UTI pelo seu jeito habilidoso e envolvente”, apresentou Liomar.

Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular

Ao advogado, Amanda contou ter mantido um relacionamento extraconjugal com Marcos, mas negou saber que o técnico era casado. Segundo Amanda, o técnico mentiu sobre várias coisas para além da união conjugal: disse que morava no Riacho Fundo (mas reside em Águas Lindas), contou que cursava fisioterapia e relatou ter trabalhado no Hospital de Base. Todos os fatos não procedem. “Ela o descreve como um homem habilidoso e envolvente. De aparência bem sucedida, mas que tinha um poder de manipulação”, pontuou o advogado.

Investigação

A primeira fase da investigação contra os técnicos de enfermagem presos por matar três pacientes ao aplicar altas doses de uma substância química diretamente na veia caminha para o fim e abre espaço para um novo desdobramento nas apurações: a busca por possíveis outras vítimas.

O inquérito em curso ainda depende de elementos considerados centrais para ser concluído e encaminhado ao Ministério Público. Para os investigadores, não há dúvida de que os três profissionais de saúde agiram para matar a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, 75, o servidor dos Correios Marcos Moreira, 33, e o servidor da Caesb João Clemente, 63. A expectativa agora recai sobre os mais de 20 laudos periciais em andamento, sobretudo os extraídos de celulares e notebooks apreendidos nos endereços dos investigados.

Leia também: Investigação sobre mortes na UTI avança para instauração de novo inquérito

Segundo a polícia, o material pode revelar trocas de mensagens suspeitas entre os técnicos, indicar a existência de outras vítimas e até expor registros em foto ou vídeo relacionados aos crimes. Marcos, Amanda e Marcela Camilly Alves da Silva, 22, foram presos temporariamente em 12 e 19 de janeiro, por um período inicial de 30 dias. A medida pode ser prorrogada por igual prazo ou convertida em prisão preventiva, a depender da decisão judicial.

Enquanto os investigadores da Coordenação de Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP) aguardam a conclusão das perícias e correm contra o tempo para fechar o inquérito, familiares de pacientes que morreram durante as internações em hospitais onde Marcos trabalhou passaram a procurar a polícia. Os relatos seguem um padrão semelhante: segundo os parentes, as vítimas deram entrada no Hospital Anchieta, foram atendidas por Marcos e morreram após paradas cardíacas súbitas.

A PCDF informou não haver, até o momento, um número consolidado de ocorrências registradas após a prisão de Marcos. O delegado-chefe da CHPP, Wisllei Salomão, explica o desdobramento. “Vamos instaurar um novo inquérito policial para apurar se outras mortes podem ter sido provocadas por eles. Mas não há nada comprovado. Estamos apurando todos os fatos relatados por familiares que nos procuraram. É algo preliminar, que exige aprofundamento na investigação”, frisou.

  • Google Discover Icon
postado em 23/01/2026 16:13 / atualizado em 23/01/2026 16:42
x