INVESTIGAÇÃO

Ex-professora de técnico investigado por mortes em UTI relata choque

Segundo a docente, Marcos participou de uma atividade escolar em que os alunos deveriam apresentar trabalhos sobre a profissão que pretendiam seguir no futuro

O técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, preso temporariamente por suspeita de envolvimento na morte de três pacientes internados na UTI do Hospital Anchieta, tinha, ainda no ensino médio, o desejo declarado de seguir carreira na área da saúde. O relato é de uma ex-professora do investigado, que deu aulas para ele durante o primeiro ano do ensino médio e acompanhou de perto seus planos profissionais.

Segundo a docente, Marcos participou de uma atividade escolar em que os alunos deveriam apresentar trabalhos sobre a profissão que pretendiam seguir no futuro. Na ocasião, ele já cursava técnico em enfermagem e manifestava o objetivo de se tornar enfermeiro. “Ele apresentou o trabalho vestido de jaleco, falou que queria ser enfermeiro e que sonhava em estudar enfermagem na UnB”, relatou.

Além do interesse acadêmico, a ex-professora descreveu Marcos como um aluno querido e bem relacionado. “Era uma pessoa solar, alegre, divertida, muito carinhosa. Ele andava sempre com as meninas, era muito afetuoso, e todos tinham muito carinho por ele”, afirmou. Segundo o relato, colegas e professores viam o jovem como alguém comunicativo e respeitoso no ambiente escolar.

O choque ao reconhecer o ex-aluno em reportagens sobre o caso foi imediato. “Quando vi a foto na notícia, pensei: eu conheço essa pessoa. Foi muito impactante”, disse. A professora contou que passou a acompanhar as reportagens com atenção e se surpreendeu com as informações divulgadas até o momento, especialmente sobre o perfil das vítimas.

As mortes sob investigação ocorreram entre novembro e dezembro de 2025 e vitimaram a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos; o servidor dos Correios Marcos Moreira, de 33; e o servidor da Caesb João Clemente, de 63. De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal, nenhum dos pacientes apresentava doenças graves que justificassem os óbitos.

Para a ex-professora, outro aspecto que causa perplexidade é o fato de o caso envolver mais de um profissional. “Quando uma pessoa faz algo sozinha, você pensa em um perfil isolado. Mas com o envolvimento de outras duas pessoas, isso é muito difícil de entender”, afirmou, em referência às prisões temporárias dos técnicos de enfermagem Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos, e Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos.

As investigações seguem sob responsabilidade da PCDF. Segundo a corporação, a análise dos celulares e notebooks apreendidos nas residências dos três técnicos é considerada fundamental para o avanço do inquérito. A polícia não descarta a possibilidade de surgirem novos procedimentos, caso sejam identificados indícios de outras mortes suspeitas.

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O inquérito deve ser concluído nos próximos dias. Até lá, os três investigados permanecem presos temporariamente, enquanto a polícia apura as circunstâncias das mortes ocorridas na UTI do Hospital Anchieta e busca esclarecer se houve participação conjunta ou divisão de condutas entre os envolvidos.

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