A Polícia Civil do DF (PCDF) expandiu a investigação sobre o caso dos assassinatos ocorridos na UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga. De acordo com o delegado-chefe da Coordenação de Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), Wisllei Salomão, todos que trabalham nos 100 leitos da unidade são investigados.
O delegado informou, no entanto, que não há, até o momento, a confirmação de mais profissionais de saúde suspeitos de envolvimento nos crimes. O inquérito que investiga os três homicídios - as vítimas são a professora Miranilde Pereira da Silva, 75 anos; Marcos Moreira, 33, servidor dos Correios; e João Clemente, 63, servidor da Caesb - apontou para a participação de três técnicos de enfermagem: Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24 anos, Amanda Rodrigues de Sousa, 28, e Marcela Camilly Alves da Silva, 22.
“Todos que trabalhavam no leito são investigados. Mas, por enquanto, não há ninguém mais específico. Os autores também não delataram a participação de mais pessoas, mas este é o procedimento”, destacou o delegado.
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Análise
A análise dos celulares e notebooks apreendidos pela Polícia Civil nas casas dos técnicos investigados é considerada ponto-chave da investigação. Nos próximos dias, investigadores da CHPP devem concluir o inquérito e instaurar um novo procedimento para apurar a possível ocorrência de outros homicídios.
O material eletrônico está em análise no Instituto de Criminalística (IC). São vistoriados os celulares e computadores dos três técnicos, que foram apreendidos em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás, no Entorno do DF. Segundo o delegado Maurício Iacozzilli, da CHPP, o objetivo é descobrir se há elementos que comprovem a motivação do crime. “A análise pode determinar se há ou não mais vítimas, a partir da conversa entre os autores, e a possível motivação”, pontuou.
Durante as apurações, cogitou-se a possibilidade dos acusados receberem vantagem financeira em um esquema ligado à funerárias. O delegado descarta a hipótese. “Cada vítima foi encaminhada a uma funerária diferente. Até o momento, não há nada comprovado nesse sentido.”
Versões
Marcos foi preso em casa, em Águas Lindas. Na delegacia, ele apresentou três versões contraditórias. Segundo a polícia, o técnico demonstrou tamanha frieza ao ser questionado sobre os fatos.
No primeiro instante, negou qualquer envolvimento. Alegou que apenas seguia as orientações dadas pelos médicos, especialmente quanto às dosagens. Marcos, depois, mudou a versão. Chegou a confessar o crime e deu como justificativa o tumulto do plantão. “Ele disse que estava estressado, que iria liberar todos e, por isso, tomou tal atitude”, afirmou o delegado.
Por último, Marcos contou outra história. Novamente admitiu a aplicação das substâncias, mas atribuiu o ato como forma de “alívio” ao sofrimento das vítimas. Amanda, por outro lado, negou os fatos e afirmou achar que Marcos estava apenas aplicando medicamentos corriqueiros, apesar de as imagens mostrarem ela vigiando a porta enquanto o suspeito injetava as substâncias nas vítimas. Confrontada, ela manteve-se em silêncio e admitiu que mantinha um relacionamento extraconjugal com Marcos.
Ambos são casados com outras pessoas, mas mantinham uma relação amorosa dentro e fora do hospital. Segundo as investigações, Amanda trabalhava em outro setor do hospital, e Marcos, na chamada “ilha 3” junto à Marcela, que era supervisionada por ele. No entanto, afirma a polícia, que enquanto Marcos injetava a substância química nas vítimas, as duas estavam presentes.
A PCDF deve concluir o inquérito acerca dos três homicídios nos próximos dias e enviar o documento ao Ministério Público (MPDFT). Outro procedimento será instaurado, informou o delegado, para apurar possíveis outras mortes semelhantes em hospitais que os acusados já trabalharam. Marcos e Amanda, por exemplo, estão na profissão há cinco anos e passaram por hospitais públicos e particulares da capital. “Esse trajeto profissional será investigado, bem como cada morte ocorrida no plantão deles”, frisou Iacozzilli.
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