Em sua fala durante o painel de apresentação do CB. Debate Janeiro Branco: diálogos sobre a saúde mental no Brasil, desta quinta-feira (29/1), a coronel Ana Paula Habka, comandante geral da PMDF, ressaltou a importância do cuidado com a saúde mental dos policiais e comentou sobre ações tomadas para melhorar o enfrentamento a esse mal dentro do batalhão.
A coronel relembrou uma tragédia que marcou o início do seu comando, o autoextermínio de um policial dias após ela assumir o cargo no comando geral. “Tomei posse em uma terça-feira, no domingo um policial cometeu suicídio. A partir desse momento, eu disse a mim mesma: não posso perder nem mais um segundo, nós não vamos mais perder nenhuma pessoa por causa disso”, afirmou.
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Ana Paula conta que, na época do ocorrido, a Polícia Militar tinha apenas uma psiquiatra à disposição da corporação. Ela relatou que, no momento em que assumiu o comando das equipes, iniciou um protocolo de foco na saúde mental. “Comecei a procurar recursos humanos e profissionais para conseguir melhorar a estrutura do atendimento para a corporação”, comentou. Uma das iniciativas feitas foi uma parceria entre a Polícia, o Sesc e a Secretaria de Saúde (SES-DF). “Esse acordo de cooperação técnica nos disponibilizou 10 psicólogos, mais uma psiquiatra. Com a secretaria, conseguimos mais uma psiquiatra que está conosco até hoje”, acrescentou. Além das parcerias, a PMDF também conta com uma rede credenciada para o atendimento aos policiais.
Outra iniciativa importante na gestão de Ana Paula foi estabelecer uma comunicação clara com toda a corporação, de soldados a comandantes. “Durante o dia, eu gosto de estar com os policiais, isso faz uma diferença muito grande. É importante chamar os comandantes e alertá-los para que estejam ao lado das tropas. Observem, deem apoio”, frisou.
CB.Debate
Em alusão ao mês dedicado à conscientização sobre a importância da saúde mental, o Correio promove, nesta quinta-feira (29/1), o CB.Debate Janeiro Branco: diálogos sobre a saúde mental no Brasil. O evento está sendo transmitido ao vivo pelo canal do Youtube e, ao final de cada painel, o público on-line e presencial poderá fazer perguntas aos painelistas.
Além dos fatores de adoecimento mental e desafios na assistência, será discutida ainda a construção de espaços de escuta e cuidado. Entre os painelistas, autoridades, médicos e especialistas compõem o debate.
No Brasil, segundo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), entre 2024 e 2025, houve um aumento de 143% na quantidade de pessoas afastadas do trabalho por transtornos mentais, um cenário que pede atenção e responsabilidade por parte do governo e sociedade.
