O tio do adolescente de 16 anos internado em estado gravíssimo após uma agressão, Flávio Henrique Fleury, descreveu uma rotina marcada por angústia, exaustão e espera desde a madrugada da sexta-feira passada (23/1). Segundo ele, a família interrompeu completamente a própria vida para acompanhar o jovem, que permanece em coma na UTI do Hospital Brasília Águas Claras.
“Minha irmã não sabe mais o que é dormir, não sabe mais o que é casa. A vida da família parou completamente. Toda a energia está canalizada para ele”, afirmou. De acordo com Flávio, os pais do adolescente permanecem no hospital desde a internação, enquanto parentes de outras cidades se deslocaram para dar apoio emocional.
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O tio relatou, ainda, a dificuldade de lidar com a incerteza do quadro clínico. “É muito duro ver um menino de 16 anos, cheio de planos, ali numa cama de UTI, sem saber se vai acordar e como vai acordar. A gente vive de boletins médicos e de esperança.”
Flávio destacou que o adolescente é muito querido por amigos e familiares. “É um menino educado, carismático, atleta, apaixonado por futebol e muito ligado ao pai. Todo mundo gosta dele, e isso fica claro quando você vê a quantidade de pessoas que vão ao hospital para rezar por ele.”
Prisão
Na tarde desta sexta-feira (30/1), o piloto afastado da Fórmula Delta Pedro Arthur Turra Basso, que agrediu o adolescente e o deixou em coma, foi preso pela Polícia Civil. Mais cedo, em coletiva de imprensa, o delegado Pablo Aguiar, da 38ª Delegacia (Vicente Pires), responsável pelo caso, afirmou que considera o autor um "sociopata sem condições de conviver em sociedade".
Pedro Arthur foi preso em flagrante na madrugada de 23 de janeiro, acusado de agredir o adolescente de 16 anos, que caiu, bateu a cabeça em um carro e segue internado em estado grave. Após audiência de custódia, o piloto foi liberado mediante pagamento de fiança no valor de R$ 24.315.
Na terça-feira (27/1), Pedro Turra divulgou um vídeo, por meio de sua defesa, em que pede desculpas à família da vítima. "Eu vim aqui pedir perdão à família dele. Nunca foi minha intenção deixar ele desse jeito, no hospital. Nunca imaginei que isso ia acontecer", disse.
O piloto declarou estar arrependido e afirmou rezar diariamente pela recuperação do jovem. "Eu não tenho palavras para descrever o quão arrependido eu estou", afirmou. Segundo Pedro Arthur, após a briga, ele acreditava que o adolescente não havia sofrido ferimentos graves. "Nós dois saímos andando. Achei que ele tinha machucado o lábio ou o nariz, mas não desse jeito", relatou.
Pedro também disse que, se soubesse da gravidade da situação, teria permanecido no local para prestar socorro. "Se eu soubesse que ele tinha se machucado desse jeito, eu nunca teria abandonado ele. Eu estaria lá para ajudar", afirmou. Em depoimento à Polícia Civil, ele já havia declarado que sua intenção durante a confusão "não foi machucar, e sim apartar".
