O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antonio de Souza, falou nesta terça-feira (3/3) ao CB.Poder sobre o projeto de lei que trata da capitalização da instituição financeira e das estratégias para reforçar o patrimônio do banco. O programa é uma parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília.
Em entrevista aos jornalistas Sibele Negromonte e Carlos Alexandre, o presidente explicou os caminhos estudados para viabilizar o aporte necessário e respondeu aos questionamentos sobre o futuro dos imóveis vinculados ao banco.
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Segundo ele, há um “menu de opções” para capitalizar o BRB. No caso dos imóveis, a seleção foi feita pela Terracap em conjunto com a Procuradoria-Geral do Distrito Federal. A estratégia, conforme detalhou, prevê a escolha de um número reduzido de propriedades com valores expressivos para compor o aporte estimado em R$ 6,6 bilhões.
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Esses imóveis serão integralizados em um fundo imobiliário. O fundo será dividido em cotas: as subordinadas permanecerão com o BRB, enquanto as cotas sênior ficarão com investidores qualificados já selecionados. “Posso dizer que são investidores S1”, afirmou. Ele ressaltou que a proposta é estruturar um fundo capaz de gerar rentabilidade ao banco.
O presidente também destacou que essa não é a única alternativa de capitalização em estudo. Entre os ativos mencionados estão os do Master, avaliados em R$ 21,9 bilhões. De acordo com Nelson de Souza, esses ativos ainda não foram negociados porque a intenção é aguardar o momento considerado mais adequado para garantir preço satisfatório à instituição.
Questionado sobre a receptividade dos deputados distritais ao projeto de lei, o Nelson afirmou que o diálogo foi longo e transparente. “Depois de 12 horas de conversa, entendi que a preocupação dos deputados é pertinente. Respondemos a todas as perguntas e tiramos as dúvidas para que todos pudessem votar com clareza”, disse. Segundo ele, os parlamentares compreenderam que o objetivo da proposta é manter o banco fortalecido e sustentável.
O presidente também pediu o apoio da população de Brasília ao projeto e afirmou que sistema financeiro compreendeu o que foi feito com a instituição."Hoje todos entenderam que o BRB é vítima. Houve um crime que tiraram recursos do BRB e que nós estamos resgatando seja através da Justiça, de ações e também fortalecendo o banco em liquidez, em capital e reputação de imagem", afirmou Souza ao destacar a importância do banco para Brasília e apoio conquistado pelo setor financeiro, o Banco Central e a Febraban.
Projeto
O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson de Souza, esteve, na segunda-feira (2/3), na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) e passou 12 horas debatendo com os distritais o Projeto de Lei do Executivo n 2175/2026, que prevê o socorro ao banco. O dirigente destacou que, sem a aprovação do projeto, o banco para de funcionar.
A proposta coloca terrenos públicos do DF como garantia em possíveis empréstimos tomados pelo banco com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e outras instituições financeiras, o que tem causado resistência por parte da oposição e de sindicatos de trabalhadores de empresas públicas que detêm os terrenos.
Desde 12h30 desta terça-feira (3/3), os trabalhadores do BRB e representantes do Sindicato dos Bancários estão na frente da CLDF em uma manifestação a favor da aprovação do projeto.
