Dez pessoas foram presas durante a operação Resina Oculta, desencadeada na manhã desta quinta-feira (19/3). A ação, coordenada pela Coordenação de Repressão às Drogas da Polícia Civil (Cord/PCDF), revelou uma estrutura altamente complexa voltada ao tráfico de drogas, com ligação na região Norte.
Foram cumpridos 41 mandados de busca e apreensão na capital federal, em Goiás, no Maranhão e no Amazonas. Em Manaus, uma empresária do ramo de calçados, identificada como Mirian Viana, foi presa. Segundo as investigações, a loja dela, situada na Rua Barroso, na Galeria Rio Negro, no Centro, recebeu, em 2025, dinheiro proveniente de traficantes.
O Correio apurou que Mirian foi presa em 15 de dezembro do ano passado, em Rio Verde (GO), depois de atuar como “batedora” do tráfico. Quem exerce essa função está nas principais rodovias do país como "escoltadores" de carregamentos de drogas e têm a função de detectar qualquer tipo de fiscalização ou blitz policial para avisar quem vem com a remessa de drogas. O veículo que ela “protegia” transportava 29,7kg de skunk.
Desde 13 de março, Mirian cumpria a pena em regime domiciliar. Agora, ela foi alvo de outro mandado de prisão preventiva.
Investigação
As apurações começaram em outubro do ano passado, depois que a Polícia Militar encontrou 47kg de haxixe em um apartamento vazio do Riacho Fundo. A Cord, da PCDF, identificou, de imediato, quatro pessoas por trás do esquema. Eles recebiam, armazenavam e difundiam os entorpecentes, afirma a polícia.
A atuação da quadrilha, no entanto, extrapolava o eixo Brasília–Goiás. A polícia identificou um rol de empresas que movimentaram milhões com o dinheiro oriundo do tráfico. Boa parte dos recursos obtidos com a venda de drogas era enviada em remessas milionárias para Manaus, capital do Amazonas, e outras localidades da região Norte — principalmente áreas de fronteira.
Movimentação financeira
Outras empresas espalhadas pelo país receberam dinheiro de traficante. Em São Luís do Maranhão, foram cerca de 20 instituições. Segundo a PCDF, em 45 dias, um único empresário movimentou R$ 30 milhões nas 22 empresas registradas no nome. Em Goiânia, uma jovem frentista de 19 anos aparecia como titular em 10 empresas, circunstância que demonstrou a utilização de “laranjas” para a movimentação financeira.
Em Manaus, três mulheres associadas a uma facção criminosa geriam um núcleo financeiro: elas recebiam dinheiro dos demais operadores e os pulverizava rapidamente com transferências para diversas empresas, de forma a dificultar o rastreamento.
Plataformas de apostas on-line também eram usadas pelo grupo como instrumento de circulação e lavagem de dinheiro. Aproximadamente 15 empresas que operam nesse ramo entraram na mira da polícia.
Cinquenta empresas e 12 pessoas físicas investigadas no âmbito da operação tiveram as contas bancárias bloqueadas judicialmente na ordem de R$15 milhões cada, além do sequestro de diversos veículos de luxo.
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