investigação

Quem é a empresária de Manaus apontada como elo do tráfico no DF

Suspeita dos investigadores é de que uma galeria comercial tenha sido utilizada como ponto de passagem de dinheiro ilícito

Mirian Viana entrou no radar da investigação a partir de movimentações bancárias consideradas discrepantes com a atividade declarada -  (crédito: Reprodução/Redes sociais)
Mirian Viana entrou no radar da investigação a partir de movimentações bancárias consideradas discrepantes com a atividade declarada - (crédito: Reprodução/Redes sociais)

Na vitrine de uma galeria comercial no centro de Manaus, sandálias expostas sugerem rotina de comércio comum: venda no atacado, atendimento a clientes locais, presença ativa nas redes sociais. Por trás do balcão da loja “By Mirian Viana”, no entanto, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) identificou um fluxo financeiro incompatível com a aparência do negócio.

Mirian Viana, que se apresenta como empresária nas redes, entrou no radar da investigação a partir de movimentações bancárias consideradas discrepantes com a atividade declarada. Segundo apuração da Coordenação de Repressão às Drogas (Cord/PCDF), a loja recebeu, ao longo de 2025, valores oriundos de investigados por tráfico de drogas no Distrito Federal — entre eles, envolvidos na remessa de 47kg de haxixe apreendidos em um apartamento vazio no Riacho Fundo, episódio que deu origem à Operação Resina Oculta. A apreensão ocorreu em outubro do ano passado por parte da Polícia Militar do DF.

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A suspeita dos investigadores é de que o estabelecimento tenha sido utilizado como ponto de passagem de dinheiro ilícito, em um esquema que buscava conferir aparência legal a recursos provenientes do tráfico.

A presença de Mirian no esquema não se restringe ao campo financeiro. Em 15 de dezembro do ano passado, ela foi presa em Rio Verde (GO) durante uma ação policial que interceptou dois veículos em deslocamento conjunto. De acordo com a investigação, o carro em que ela estava atuava como “batedor” — função de monitorar rodovias e alertar sobre fiscalizações. Logo atrás, outro automóvel transportava 29,7 quilos de skunk.

Na ocasião, os ocupantes dos veículos, segundo a polícia, saíram de Manaus com destino ao Distrito Federal. A droga teria origem na região Norte.

Dias antes da nova fase da operação, em 13 de março, Mirian havia obtido o direito de cumprir prisão em regime domiciliar por decisão do Superior Tribunal de Justiça. Com o avanço das investigações, no entanto, ela voltou a ser alvo de mandado de prisão preventiva, cumprido no âmbito da Resina Oculta.

Movimentação financeira

A operação identificou outras empresas espalhadas pelo país que receberam dinheiro de traficante. Em São Luís do Maranhão, foram cerca de 20 instituições. Segundo a PCDF, em 45 dias, um único empresário movimentou R$ 30 milhões nas 22 empresas registradas em seu nome. Em Goiânia, uma jovem frentista de 19 anos aparecia como titular em 10 empresas, circunstância que demonstrou a utilização de “laranjas” para a movimentação financeira.

Em Manaus, três mulheres associadas a uma facção criminosa geriam um núcleo financeiro: elas recebiam dinheiro dos demais operadores e o pulverizavam rapidamente com transferências para diversas empresas, de forma a dificultar o rastreamento.

Plataformas de apostas online também eram usadas pelo grupo como instrumento de circulação e lavagem de dinheiro. Aproximadamente 15 empresas que operam nesse ramo entraram na mira da polícia.

Cinquenta empresas e 12 pessoas físicas investigadas no âmbito da operação tiveram as contas bancárias bloqueadas judicialmente na ordem de R$15 milhões cada, além do sequestro de diversos veículos de luxo.

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postado em 19/03/2026 07:44 / atualizado em 19/03/2026 08:29
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