Chacina

Chacina: "Em 33 anos, nunca tive um caso que trouxesse tanta desgraça quanto esse", diz juiz

Juiz Taciano Vogado, presidente do Tribunal do Júri de Planaltina, encerrou julgamento da maior chacina do DF com desabafo sobre a gravidade dos crimes e a resposta das instituições

Julgamento da chacina de 2023. Juiz Taciano Vogado. -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Julgamento da chacina de 2023. Juiz Taciano Vogado. - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

O encerramento do julgamento da maior chacina da história do Distrito Federal foi marcado por um impactante desabafo do juiz Taciano Vogado. Com mais de três décadas de magistratura, o presidente do Tribunal do Júri de Planaltina não escondeu o choque diante da brutalidade do caso que resultou na morte de 10 pessoas da mesma família. Ao proferir a sentença na noite desse sábado (18/4), Vogado confessou: “Em meus 33 anos de tribunal, eu confesso que nunca tive um caso tão grande quanto esse, que trouxesse tanta desgraça para todas as pessoas”.

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O magistrado fez questão de ressaltar que, apesar da pressão popular e da repercussão pública, o rito processual foi rigorosamente seguido. Para ele, a condenação dos réus é uma resposta técnica e serena das instituições. “Casos de grande repercussão testam a capacidade das instituições de entregar prestação judicial serena. Venceu a pressão, e essa entrega foi feita dentro do que a ordem jurídica prescreve”, afirmou, destacando que o respeito às garantias legais é o que dá legitimidade duradoura à decisão.

Punições

A fala do juiz precedeu a divulgação das penas recordes que totalizam séculos de reclusão para os líderes da barbárie. Gideon Batista de Menezes e Carlomam dos Santos Nogueira receberam as punições mais severas, com 397 e 351 anos de prisão, respectivamente. Horácio Carlos Ferreira Barbosa foi condenado a 300 anos, enquanto Fabrício Silva Canhedo recebeu a pena de 202 anos. O quinto réu, Carlos Henrique Alves da Silva, cumprirá dois anos em regime semiaberto.

Vogado dedicou parte de seu discurso aos jurados, cidadãos comuns de Planaltina que deixaram suas rotinas para decidir o destino dos réus. "O veredicto pertence a vocês e à comunidade que representam. Sem essa disposição, a soberania popular seria letra morta", pontuou. Ele também estendeu agradecimentos à força-tarefa composta pela Polícia Civil e pelos promotores Nathan da Silva, Daniel Bernoulli e Marcelo Leite.

Apelo ao respeito

Ao declarar encerrada a sessão por volta das 23h30, o juiz fez um apelo à comunidade para que o desfecho do caso seja tratado com a devida gravidade, especialmente em relação às famílias das vítimas. "Peço à comunidade que preserve o respeito devido às famílias envolvidas. É esse respeito coletivo que dá ao veredicto a legitimidade que a democracia espera", concluiu, reforçando que, embora a justiça tenha sido entregue nos limites da lei, a dor vivida pelos sobreviventes permanece irreparável.


 

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postado em 19/04/2026 16:05
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