Justiça

'Plano desandou': réu relata morte inicial e escalada até chacina familiar

Quarto réu aponta Gideon Batista e Horácio Carlos como as mentes por trás do plano criminoso

O quarto réu a prestar depoimento no Tribunal do Júri sobre o caso da chacina, nesta quinta-feira (16/4), Carlomam dos Santos apresentou uma versão semelhante à prestada por Fabrício Silva e atribuiu a Gideon Batista e Horácio Carlos a ideia do plano criminoso que vitimou 10 pessoas da mesma família, entre outubro de 2022 e janeiro de 2023.

Fabrício teria sido o responsável por ser o elo entre Carlomam e Gideon. Com a promessa de pagamento de R$ 500 mil, Carlomam relatou que o plano, inicialmente, era a obtenção de dinheiro. Ele confessou ser o encarregado dos sequestros das vítimas Marcos Antônio, Renata Juliene Belchior e a filha do casal, Gabriela Belchior.

“O Gideon me deu a arma, e meu papel era somente sequestrar o Marcos, mas o matei sem querer ao disparar acidentalmente. Eu estava com a arma pressionando sobre ele, quando acionei o gatilho sem querer”, detalhou.

Com a morte de Marcos, segundo ele, o plano teria desandado. O patriarca foi levado morto da chácara ao cativeiro alugado por Gideon, no Vale do Sol, em Planaltina, onde foi esquartejado e enterrado. “O Horácio e o Gideon cortaram os membros”, disse. Posteriormente, Gideon ordenou o sequestro de Renata e Gabriela, ainda segundo ele. As duas permaneceram em cativeiro junto à ex-mulher de Marcos, Cláudia Rocha, da filha Ana Beatriz e de Thiago Belchior, filho de Marcos.

Quanto ao sequestro de Thiago, disse que o responsável por atraí-lo foi Carlos Henrique, o quinto réu. A participação de Carlos, segundo ele, se restringe apenas à abordagem a Thiago. Depois, Carlos foi embora e não esteve nenhum dia no cativeiro ou participou das mortes.

Morte das crianças

Questionado sobre a morte de Elizamar da Silva e dos filhos, Rafael, Rafaela e Gabriel, ele negou a participação. Alegou que a mulher e as crianças foram atraídas à chácara após Elizamar receber uma mensagem enviada por Thiago. “Ela (Elizamar) pediu para o Horácio deixar ela ir embora porque ela não tinha nada a ver com aquilo ali”, afirmou.

Gideon e Horácio teriam sido os responsáveis pela morte da cabeleireira e das crianças. Elizamar foi asfixiada, e os menores queimados vivos. Carlomam sustentou em plenário que estava em outro carro e viu, pelo retrovisor, o carro sendo queimado.

Ainda de acordo com a narrativa, Cláudia e Ana foram assassinadas após Gideon descobrir que Cláudia registraria um boletim de ocorrência do desaparecimento de Marcos. “Elas foram abordadas na casa em que elas moravam, durante um processo de mudança.” As duas foram degoladas e jogadas em uma cisterna, ação essa cometida por Horácio, afirmou. “Joguei só o cal e fugi. Não era para eu estar vivo.”

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