Saúde

Exposição itinerante sobre memória da covid-19 é aberta em Brasília

Mostra gratuita "A infinita memória da pandemia: a história da covid-19 por todos nós, brasileiros", no Shopping Conjunto Nacional, reúne relatos, imagens e homenagens às 700 mil vítimas da pandemia

Exposição em memória das vítimas da covid-19 aberta no shopping Conjunto Nacional -  (crédito:  Minervino Júnior/CB)
Exposição em memória das vítimas da covid-19 aberta no shopping Conjunto Nacional - (crédito: Minervino Júnior/CB)

O Ministério da Saúde inaugurou, nesta terça-feira (26/5), a exposição A infinita memória da pandemia: a história da covid-19 por todos nós, brasileiros, no Shopping Conjunto Nacional. Gratuita e aberta ao público, a mostra reúne relatos, imagens, vídeos, instalações artísticas e testemunhos sobre os impactos da pandemia de covid-19 no Brasil.

A exposição foi construída a partir do Memorial Digital da Pandemia de Covid-19 e integra uma ação educativa promovida pelo Ministério da Saúde em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a Unicamp e outras instituições ligadas à preservação da memória da crise sanitária. O espaço conta com 10 estações imersivas que abordam temas como isolamento social, luto, ciência, solidariedade, vacinação e desinformação.

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Durante a cerimônia de abertura, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a iniciativa busca preservar a memória das vítimas da pandemia e estimular reflexões sobre os impactos da covid-19 no país. “O motivo dessa exposição é, primeiro, homenagear as vítimas da covid-19. Pela primeira vez é possível expor quais são os nomes, a idade e o estado dessas pessoas”, declarou o ministro.

A mostra inclui esculturas, instalações e registros digitais que retratam experiências vividas pela população brasileira durante os momentos mais críticos da crise sanitária. De acordo com o Ministério da Saúde, a exposição itinerante permanecerá em Brasília até o fim de junho e depois seguirá para outras cidades do país, entre elas São Paulo, Fortaleza, Porto Alegre e capitais da Região Norte.

O ministro destacou ainda que a iniciativa pretende estimular debates sobre preparação para futuras emergências sanitárias. Durante a fala, Padilha também comentou a condução da pandemia no Brasil e afirmou que parte das mortes poderia ter sido evitada. “Todos os estudos mostram que pelo menos metade das mortes seriam evitadas se o Brasil não tivesse sido tão irresponsável na produção da vacina, na oferta da vacina ao povo brasileiro e nas mensagens que as autoridades passavam naquele momento”, disse.

 26/05/2026. Crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press. Brasil.  Brasilia - DF. Exposição em memória das vítimas da Covid 19 no shopping Conjunto Nacional. Ministro da saúde Alexandre Padilha
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (foto: Minervino Júnior/CB)

700 mil mortes nominadas

O representante da Organização Pan-Americana da Saúde e da Organização Mundial da Saúde no Brasil, Cristian Morales, destacou a importância da preservação da memória das vítimas da covid-19 durante a inauguração da exposição. Segundo ele, a iniciativa ajuda a transformar os números da pandemia em histórias humanas e reforça a necessidade de preparação para futuras crises sanitárias. “Sem lembrar os nomes é muito difícil entender o que foram essas 700 mil mortes”, afirmou.

Morales ressaltou que a pandemia afetou diferentes grupos sociais de maneiras profundas e que essas experiências não podem ser esquecidas. Ele citou o impacto nas periferias, nas escolas e nas famílias brasileiras durante o período de isolamento social. “É importante conhecer também o que foi a vivência dos moradores nas periferias, das crianças nas escolas que tiveram que aprender à distância. Todas essas experiências que pegaram tanto aqui no Brasil e no mundo têm que ser lembradas todos os dias”, declarou.

 26/05/2026. Crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press. Brasil.  Brasilia - DF. Exposição em memória das vítimas da Covid 19 no shopping Conjunto Nacional
Marcia Lage, 71, destaca a mudança no comportamento humano pós-covid (foto: Fotos: Minervino Júnior/CB)

Memória viva

Entre os visitantes da exposição, o sentimento predominante era de emoção e reflexão sobre os impactos deixados pela pandemia de covid-19. A aposentada Márcia Lage, de 71 anos, contou que visitava Brasília para ver a irmã e a sobrinha, quando souberam do evento. “Nossa contemporaneidade pode ser dividida antes e depois da covid. Mudou muito o comportamento humano e a forma das pessoas se relacionarem”, afirmou.

A sobrinha dela Júlia Lage, de 26 anos, também ressaltou a importância de preservar a memória da pandemia. Para ela, relembrar o período é fundamental para evitar a repetição de erros e reforçar a importância da ciência e do Sistema Único de Saúde (SUS). “Foi um momento de muita dúvida, sofrimento e perdas, marcado por um negacionismo científico”, afirmou.

 26/05/2026. Crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press. Brasil.  Brasilia - DF. Exposição em memória das vítimas da Covid 19 no shopping Conjunto Nacional. Florisvaldo Fior
Florisvaldo Fior, 75, emociona-se com relatos na exposição: "Dias terríveis da pandemia" (foto: Minervino Júnior/CB)

Outro visitante da mostra, Florisvaldo Fier, de 75 anos, afirmou ter se emocionado com os relatos apresentados na exposição. Segundo ele, a iniciativa ajuda a recuperar a memória coletiva sobre um dos períodos mais difíceis enfrentados pelo país. “É emocionante ler os depoimentos das pessoas por aquele momento da covid. É importante recuperar a memória das pessoas para ver o que nós, brasileiros e brasileiras, passamos naqueles dias terríveis da pandemia”, declarou.

 

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postado em 27/05/2026 00:10
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