A partir das 7h30, na Asa Norte, José Gonçalves Brito, 63 anos, se posiciona diante do balcão à espera dos fanáticos por trocas de figurinhas do álbum da Copa. Dias atrás, um cliente entregou uma peça incomum: o verso era preto e destoava do padrão tradicional. Os colecionadores desconfiaram, mas descobriram tratar-se de um exemplar vindo do México. A desconfiança é justificável. A febre em torno do álbum abriu alas para golpes e produtos falsificados. Em entrevista ao Correio, Raul Vallecillo, CEO da Panini Brasil, orientou sobre como a população pode identificar a veracidade das figuras.
Na semana passada, agentes da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro apreenderam 200 mil figurinhas ilegais. O material estava no compartimento de carga de um ônibus em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. De acordo com os investigadores, os produtos falsificados seriam distribuídos em pontos comerciais da área.
Todos os anos, Brito, um dos poucos sobreviventes das bancas de jornais, não abre mão da venda dos álbuns e das figurinhas. Desde 29 de abril, deu o pontapé na edição 2026. Ele relatou não ter identificado ainda figurinhas falsas, mas garante manter a atenção redobrada. Há 42 anos, adquire os exemplares com um fornecedor ligado diretamente à Panini Brasil, a maior fabricante de álbuns de figurinhas e cards colecionáveis do mundo. "Fujo de compra de terceiros. Toda semana, compro 40 caixas, com 1 mil figurinhas em cada. Então, são 40 mil figurinhas totalmente verdadeiras."
O CEO da Panini adverte. Segundo Raul Vallecillo, um dos pontos para identificar indícios de falsificação das figurinhas é atentar-se ao fechamento dos envelopes. "Os pacotinhos oficiais da Panini contam com um lacre por completo em todas as extremidades, fruto da tecnologia utilizada pela editora na fabricação dos envelopes, enquanto os falsificados apresentam pequenas aberturas no fechamento do pacote", ressalta.
O CEO garante que, em caso de identificação de produtos falsificados, os consumidores podem registrar um boletim de ocorrência. A Polícia Civil é encarregada da investigação. A Panini Brasil informou não ter informações sobre a quantidade de itens falsificados apreendidos no Brasil ou no DF.
"Recomendamos que os consumidores realizem suas compras pelo site oficial da editora (panini.com.br) ou por grandes nomes do varejo nacional, onde terão certeza da autenticidade dos produtos. Além disso, é importante estar atento às ofertas que fogem muito da média praticada, assim como benefícios muito fora do comum", finalizou o CEO.
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