O ex-governador José Roberto Arruda (PSD), pré-candidato ao comando do Palácio do Buriti, disse a aliados próximos que entre todos os candidatos ao governo distrital, ele tem simpatizado com Leandro Grass, que vai concorrer pelo PT nas eleições deste ano. Uma das possibilidades aventadas nos bastidores é uma eventual chapa conjunta entre Arruda e Grass. A estratégia colocaria ambos os candidatos em condições de liderar os votos e alcançar o posto.
Arruda foi beneficiado por uma lei aprovada no ano passado que reduziu o período de inelegibilidade dos políticos barrados pela Lei da Ficha Limpa. No entanto, os artigos da norma estão sendo avaliados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que pode derrubar a medida e retomar prazos antigos - o que na prática faria com que o ex-governador ficasse de fora das eleições deste ano, podendo voltar a disputar cargo eletivo apenas no pleito de 2030.
O julgamento estava em 2 a 0 para derrubar a nova lei. No entanto, foi interrompido por um pedido de vista, ou seja, de mais tempo para analisar o caso por parte do ministro Gilmar Mendes. O magistrado tem 90 dias para devolver o processo para julgamento, que ocorre no plenário virtual da Corte. Mas nada impede que outro magistrado peça vista novamente, ou destaque, quando o processo seria retomado do zero no plenário físico. A situação indefinida faz com que Arruda avalie novas estratégias.
Uma das opções é compor uma chapa com Grass como vice, se o candidato petista aceitar. Caso Arruda saia da disputa, ou até seja removido após assumir, Grass ocuparia a cabeça da chapa ou assumiria o governo. Caso o Supremo barre Arruda antes da campanha começar de fato, o ex-governadora poderia declarar apoio a Leandro Grass. Nesta hipótese, Arruda poderia assumir um cargo relevante em um eventual governo Grass, ocupando, por exemplo, uma secretaria importante. A lei da Ficha Limpa não impede a lotação em cargos de livre nomeação e exoneração.
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A informação sobre o alinhamento é discutida no Palácio do Planalto, já que a candidatura de Grass foi uma escolha direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A barreira maior fica em torno da conjuntura nacional, já que o presidente do PSD, Ricardo Kassab, estaria propenso a apoiar a candidatura de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo e se opor a Fernando Haddad. No entanto, já existem tentativas do PT nacional de dialogar com Kassab, para garantir apoio ao ex-ministro da Fazenda.
Nos bastidores do Supremo, também corre a informação sobre a proximidade de Arruda com Grass. Questionada sobre a situação, a campanha de José Roberto Arruda afirmou que não vai comentar o caso. O candidato Leandro Grass e sua equipe também foram procurados, mas também não quiseram comentar.
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