
O esquema de furto de combustível de um oleoduto da Transpetro, subsidiária da Petrobras, descoberto em Ceilândia pela Polícia Civil, pode representar um caso inédito no Distrito Federal pelo grau de sofisticação da operação. Em 2023, uma outra operação prendeu quatro criminosos pelo desvio de 30 mil litros de combustível. À época, a corporação afirmou ser a primeira vez de um crime desse porte na capital.
A investigação revelou “profissionalismo” por parte dos três suspeitos em Ceilândia, que incluiu o aluguel de um imóvel distante cerca de 5 metros do oleoduto, escavação de um túnel e definição de escala de dias e horários para a prática criminosa. Foram presos Antônio Marcos da Silva Seurinho, 43 anos, apontado como líder do esquema, José Marle de Queiroz Lucena Segundo, 43, e Paulo Batista de Oliveira, 36. Os dois últimos desempenhavam trabalho braçal, afirmou a polícia.
Paulo Roberto Correa Tavares, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do Distrito Federal (Sindicombustíveis-DF), classificou o fato como preocupante. “Precisamos saber de início o destino desse furto no duto, porque ele é de diesel e gasolina. O DF, diferente de outras unidades da federação, tem em torno de 90% do produto vindo das refinarias do interior de São Paulo e a maior parte chega às grandes distribuidoras. Não acredito que essas maiores possam estar adquirindo de forma clandestina. Elas são muito sérias. Restam as pequenas distribuidoras, que podem ser no DF ou em Goiás”, afirmou.
Leia mais: Como uma falsa oficina se transformou em base para furtar combustível no DF
Segundo Paulo Roberto, não há como o combustível furtado ir direto para o posto de gasolina. No caso do diesel, segundo ele, precisa ser misturado com biodiesel. Quanto à gasolina, com etanol. “A não ser que possam estar usando esse tipo de diesel para mistura clandestina e levar para fazendas do interior que precisam ir para os maquinários. Mas somente a investigação vai elucidar”, sugeriu.
A Polícia Civil estima que, somente na última semana, o trio furtou entre 90 e 100 mil litros de combustível. O quantitativo daria para abastecer um posto de pequeno porte por um mês, avaliou Paulo Roberto. O delegado Fernando Fernandes, da 19ª Delegacia de Polícia (P Norte), afirmou que ainda aguarda a conclusão da perícia que irá apontar o volume e o valor exatos do combustível desviado.
Furto
O aluguel do ponto comercial foi certamente premeditado, apontam as investigações. O imóvel vazio está a cerca de 5 metros de distância da tubulação, ponto facilitador para o grupo.
Os elementos e provas colhidos até o momento levam os policiais a outra camada da investigação: a suposta participação de transportadoras e postos de gasolina. Denúncias recebidas apontam para o envolvimento de ambos no esquema criminoso. Devido ao risco de explosão, a Defesa Civil interditou, no sábado (6/5), os imóveis próximos ao oleoduto, aconselhando que os moradores deixassem as residências. Neste domingo (7/6), as equipes permitiram o retorno e acesso dos residentes.
Caso de 2023
O esquema descoberto em Ceilândia não foi o primeiro caso de furto de combustível diretamente de um oleoduto no Distrito Federal. Em janeiro de 2023, a Polícia Civil prendeu quatro homens suspeitos de desviar cerca de 30 mil litros de gasolina do Oleoduto São Paulo–Brasília (Osbra), que abastece o terminal da Transpetro no DF. À época, a corporação classificou a ocorrência como a primeira do gênero registrada na capital.
Segundo as investigações, os criminosos perfuraram a tubulação e instalaram uma estrutura clandestina para retirar o combustível. O prejuízo foi estimado em aproximadamente R$ 780 mil. O caso chamou a atenção não apenas pelo volume desviado, mas também pelos riscos de explosão e desabastecimento associados à violação de uma infraestrutura considerada estratégica.

Cidades DF
Cidades DF
Cidades DF