No calendário dos apaixonados, o Dia dos Namorados é sinônimo de flores, jantares e declarações. Para os motéis e hotéis, é a data na qual o amor bate à porta, alguns com reserva antecipada. Como de costume, as suítes serão disputadas amanhã, com pacotes de decorações românticas, e expectativa de faturamento em alta para uma das épocas mais lucrativas do ano no setor de hospedagem do DF.
Diretora da Associação Brasileira de Motéis (ABMotéis) e administradora do Flamingo Motel, Elza Bezerra sublinha que há mais de 20 grandes motéis na capital. Com isso, a atividade passa a ser desmistificada. "Hoje, o motel não é mais aquele lugar escondido. É um espaço de lazer e experiência que pode ser frequentado por diferentes públicos. Nesta época do ano, a mídia abre espaço para mostrarmos essa transformação e apresentarmos um setor que vem se reinventando constantemente."
Segundo o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar), Jael Antônio da Silva, a procura reflete uma mudança no comportamento dos consumidores, que passaram a valorizar mais a experiência do que apenas a hospedagem.
"A expectativa do mercado é de um crescimento entre 15% e 30% na ocupação em relação a um fim de semana comum de junho. Os motéis competem pela praticidade e pela experiência voltada à privacidade por algumas horas. Já os hotéis vendem uma experiência completa, que envolve conforto, gastronomia, lazer, descanso e a possibilidade de transformar a comemoração em um fim de semana inteiro", afirma.
Para ele, muitos casais passaram a enxergar os hotéis como uma oportunidade de viajar sem sair da cidade. "É uma miniviagem dentro da própria cidade. Muitos casais buscam, hoje, uma experiência completa e memorável, não apenas um local para algumas horas."
Efeito no mercado
O economista Ciro Avelar explica que os motéis e hotéis tendem a ser beneficiados pela data, especialmente porque, em Brasília, há o hábito de casais deixarem a própria residência para passar a noite em outro lugar. "Hospedar-se em um hotel não está necessariamente associado a viagens ou a estadias prolongadas. A data cria uma demanda específica por esse tipo de experiência", observa.
A expectativa, de acordo com o especialista, é de que os hotéis registrem alta na ocupação não apenas na noite de 12 de junho, mas ao longo de todo o fim de semana. O movimento deve ser impulsionado pela proximidade entre a data comemorativa e os dias de folga.
O impacto se espalha por diferentes segmentos da economia do DF. "Há um efeito-cascata importante, que alcança o setor hoteleiro, bares e restaurantes, floriculturas, lojas de presentes, estabelecimentos de variedades e o comércio de vestuário íntimo." Apesar do aquecimento esperado, ele recomenda cautela aos consumidores. "O principal é evitar o endividamento. Não vale a pena recorrer ao cheque especial ou comprometer o limite do cartão de crédito para custear despesas que ultrapassem o orçamento disponível."
Refúgio
No Flamingo Motel, no Complexo Colorado, a expectativa é de movimento intenso. O estabelecimento tem 50 suítes e, neste ano, decidiu não trabalhar com reservas antecipadas devido à alta demanda esperada.
A administradora Elza Bezerra acredita que os momentos de conexão entre os casais deveriam acontecer durante todo o ano. "As pessoas deveriam procurar o motel sempre. Todo casal deveria ter um momento de conexão, de ficar em um lugar reservado e curtir juntos, não apenas no Dia dos Namorados. A gente vende uma experiência que não tem preço", observa.
A busca por diferenciais também é uma aposta do Via Sul Motel, em Ceilândia. Este ano, a ideia é recepcionar de forma especial os casais que enfrentarão a fila de espera. Na entrada, haverá distribuição de drinks e petiscos, além de uma apresentação de saxofone ao vivo.
O empreendimento investe em experiências que fogem do conceito tradicional de motel. O administrador do estabelecimento, Celso Covre, explica que a principal delas é a suíte Bangalô, cercada por vegetação, água e espaço aberto para ver o céu.
"Normalmente, as suítes são pensadas para serem um lugar entre quatro paredes. Mas nós pensamos em um espaço de desestresse. Você não percebe que está em Ceilândia. Tudo é muito relaxante e, inclusive, oferecemos SPA. A massagista vai até a suíte, o que é muito diferente daquela lógica de não ter contato, não ver ninguém quando se vai ao motel", detalha.
"Queremos quebrar esse tabu, mostrar que não precisa se esconder, que ninguém está fazendo nada de errado. Afinal, 80% do público dos motéis são casais em união estável. Motel não é só para sexo, é para relaxar e viver um momento bom. Temos cerca de 4 mil locações por mês e, no Dia dos Namorados, esse número aumenta significativamente", completa.
No setor de hotéis, a diretora comercial do Royal Tulip Brasília Alvorada relata que a procura por hospedagem para o Dia dos Namorados superou as expectativas. "Muitos casais buscam a experiência de passar a data com hospedagem, jantar harmonizado e uma experiência completa."
Segundo ela, o público é formado, principalmente, por moradores de Brasília e Goiânia. O hotel alcançou 70% de ocupação para a noite de 12 de junho, enquanto o restaurante registrou lotação máxima. "A maior procura é por suítes de luxo de frente para o Lago Paranoá. Nosso público são hóspedes que buscam alta gastronomia, hospedagem de luxo e momentos memoráveis para viverem o fim de semana", conta.
