Paralisação

Bancos fechados e adesão parcial durante a greve dos vigilantes no DF

Categoria reivindica uma convenção coletiva de trabalho. Nas escolas, a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) ofereceu segurança para as unidades que estão sem vigilantes

Luiz Francisco*

Parte dos vigilantes do Distrito Federal aderiu à greve, deflagrada na noite dessa terça-feira (23/6). A suspensão dos serviços ocorreu durante uma assembleia geral — organizada pelo Sindicato dos Vigilantes (Sindesv-DF) — quando os servidores decidiram paralisar. A categoria reivindica uma convenção coletiva de trabalho, que representa um acordo entre o sindicato dos trabalhadores e o sindicato patronal (empresas e empregadores), e estabelece regras, pisos salariais e benefícios. 

De acordo com Gilmar Rodrigues de Azevedo, secretário de imprensa do Sindesv-DF, a proposta acordada na última quarta-feira (17), que previa reajuste salarial de 3,9%, sem retroativo, foi rejeitada pela categoria. Durante as negociações da última assembleia, o sindicato patronal não apresentou novas ofertas. “Em geral, a greve está firme e com um número alto de vigilantes que aderiram”, conta. 

Impactos

O Correio percorreu o Plano Piloto e encontrou agências dos bancos Santander, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa e Banco de Brasília (BRB) fechadas nesta quarta-feira (24/6). O Sindicato dos Vigilantes está visitando os estabelecimentos para mobilizar os trabalhadores. Sem esses profissionais, os bancos não podem funcionar. 

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"O sindicato ainda não passou aqui, mas, quando vier, vamos fechar", disse um profissional à reportagem. Ele apontou que sozinho não pode aderir à greve, pois fica vulnerável, e aguarda a presença da organização para se engajar. 

O Sindicato dos Bancários de Brasília, em nota, reforçou que bancários e bancárias só devem trabalhar em agências e dependências bancárias que tenham a presença dos vigilantes, e que a suspensão do atendimento nos espaços é uma medida de segurança. 

A greve preocupou a área de educação pública no DF. “Os vigilantes têm um papel fundamental no cuidado das crianças. São eles que mantêm a segurança e a ordem enquanto organizamos a escola”, disse Patricia dos Santos, diretora da Escola Classe da SQS 102. A educadora relata que a aliança entre a Polícia Militar com as escolas públicas do DF ofereceu apoio à segurança do local, todavia, a vigilante responsável pela escola estava presente como de costume e relata que não foram repassadas informações a respeito da greve para sua unidade.

A Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEE-DF) informou que, até o momento, não há registro de prejuízos ao funcionamento das unidades escolares em decorrência da greve dos vigilantes. "A pasta acompanha a situação e está preparada para adotar as medidas necessárias para evitar impactos na continuidade das atividades escolares", informou, em nota.

Os vigilantes dos metrôs também foram trabalhar normalmente. “Temos que vir pra conseguir nosso sustento”, disse um funcionário. “Só vai ser possível efetivar a greve se o sindicato passar em cada um dos metrôs”, completou.

Proposta favorável

Gilmar Azevedo, do Sindesv-DF, afirma que apenas a empresa Brasília Segurança — responsável pelos serviços da Companhia Energética de Brasília (CEB), pela Companhia de Água e Saneamento de Brasília (Caesb) e pelas unidades de saúde do DF — apresentou uma proposta favorável aos trabalhadores, com um reajuste de 4,26% sobre todas as cláusulas financeiras. Por esse motivo, não há greve nos postos atendidos pela corporação. 

O deputado distrital Chico Vigilante (PT) participou da última assembleia. Nas redes sociais, o político declarou apoio aos trabalhadores que aderiram à greve. “Não vamos aceitar tentativas de desmoralizar a nossa categoria. Seguimos unidos e firmes até uma proposta decente para quem dedica a vida à segurança privada do DF”, apoiou o parlamentar.

Erika Kokay (PT) também estava na reunião do sindicato e prestou apoio aos vigilantes. “O setor patronal precisa entender que trabalhador é custo, é quem faz o DF funcionar”, declarou a deputada distrital. “Uma categoria que merece ser tratada com muito respeito e dignidade.”

Os vigilantes realizarão uma nova assembleia nesta quinta-feira (25/6), às 17h, no Conic, para avaliação do movimento e novas deliberações.

*Estagiários sob a supervisão de Tharsila Prates

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