INSPIRAÇÃO

Crônica da Cidade: De onde vem a inspiração

Em raras ocasiões, a inspiração é tão arrebatadora que o texto quase se escreve sozinho, apesar de não haver nenhum vínculo com o divino

A inspiração para a escrita os seus mistérios -  (crédito:  Maurenilson Freire/CB/D.A Press)
A inspiração para a escrita os seus mistérios - (crédito: Maurenilson Freire/CB/D.A Press)

Quando repouso as mãos sobre o teclado, algo de estranho acontece. Não é iluminação divina, muito menos fluxo de consciência criativo e constante. É mais errático e confuso do que isso. Na maior parte das vezes, os movimentos são estimulados pelo compromisso, aquilo que incluímos na rotina por uma obrigação com alguém. Nesse caso, é com vocês, os leitores.

Em raras ocasiões, a inspiração é tão arrebatadora que o texto quase se escreve sozinho, apesar de não haver nenhum vínculo com o divino. De fato, existem momentos, ainda mais raros, em que uma prece pode ser bem-vinda. Um pedido à nossa padroeira por uma ideia que preencha as minhas tão queridas linhas.

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Tem vezes que debaixo do chuveiro surgem as melhores, sem que nem mesmo eu peça ou que haja qualquer intencionalidade. O maior risco, nesse caso, nem é ter uma ideia ruim, mas, sim, esquecê-la na velocidade em que fecho a torneira. Uma nota no celular ou na agenda pode ser boa conselheira, mas a soberba prevalece a qualquer tentativa de ajudar o HD interno.

A praticidade do envio direto pela rede faz da escolha pelo computador a campeã. Muitas vezes, o próprio celular é meu recurso, mas não permite muitos erros e exige que eu seja mais direta. Nada de cortar aqui e colar ali ou de realocar grandes partes do texto para fazer algum ajuste mais robusto. A primeira chance é a última. Ou isso, ou precisarei dar um jeito de encontrar equipamento melhor.

O papel é sempre uma opção, apesar de menos cômoda. Gosto de escrever usando diferentes cores ou caneta-tinteiro ou mesmo uma lapiseira de grafite bem macio, quase de desenho. Há anos não escrevo à mão com regularidade. Uso muita força para imprimir a letra no papel e o punho acaba cobrando o preço. Já tive de engessá-lo quando cursava o ensino médio tamanho o exagero.

Brasília é quase sempre o ponto de partida, ou algo que a orbita, seja sentimento, seja acontecimento. Afinal, a crônica é da cidade. Um fato do cotidiano, uma lembrança, uma história, algo que percorreu suas ruas e impregnou suas edificações e construiu memória. 

Depois desse processo, diário ou semanal — mas sempre regular, como a crônica nos insta a ser — sai o texto, com as peculiaridades desse método que o acompanhou. Minha vontade era entregá-lo a cada um acompanhado de um café quentinho e um ramo de alfazema fresco e cheiroso.

 

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postado em 20/07/2026 05:00
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