João Pedro Zamora* e Gabriela Cidade*
O número de jovens empreendedores com até 29 anos cresceu 20% entre 2012 e 2025, alcançando cerca de 4,9 milhões de donos de negócio no Brasil no quarto trimestre do ano passado, de acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Na capital, eles investem principalmente nos ramos de Serviços (63,5%) e Construção (16,3%), seguidos pelos setores de Comércio (11,8%); Indústria (4,8%); e Agropecuária (1%). Na formação, 42,8% têm ensino superior incompleto ou mais.
"Os jovens têm como diferencial a capacidade de inovar, utilizar tecnologias digitais e identificar novas demandas da sociedade. Eles estão cada vez mais qualificados", destaca Ana Emília de Andrade, coordenadora da Assessoria de Gestão Estratégica e Políticas Públicas do Sebrae/DF.
Um deles é João Pedro Calheiros, de 23 anos, fundador da cafeteria Exímio Cacau. "Brasília é a cidade do funcionalismo público, mas, ao mesmo tempo, tem um mercado muito jovem. Enxergamos isso como oportunidade", assinala. Com um toque urbano e simples, a chocolateria de Calheiros usa o preto e branco para se apresentar de forma convidativa em meio ao comércio local da 208 Sul. Apesar disso, um dos fatores mais importantes é a presença virtual da Exímio: "A identidade da loja on-line é quase um reflexo da personalidade da nossa equipe", comenta.
Mesmo ocupando uma área nobre, no Plano Piloto, ao lado de comércios competitivos, o caminho até o endereço atual foi cercado de aprendizados. "Nossa história tem muitos acertos, mas também muitos erros. Começamos em um espaço de 20 metros quadrados que passava por alagamentos, roubos e várias situações difíceis. Conseguir esse espaço próprio foi uma conquista enorme", conta o empresário.
Atendimento personalizado
A cabeleireira Valentina Calderon, 26, aposta no atendimento individualizado e pessoal. A especialista, que trabalha no Plano Piloto por meio do perfil @a._.gorila, conta que atendia em salões, mas encontrou maior satisfação e sucesso nos cortes individuais. "A coletividade é muito importante e me ensinou muito, mas prefiro algo mais personalizado para os meus serviços", relata. "A economia da cidade também ajuda bastante. As pessoas criam uma imagem negativa de Brasília, por conta do custo de vida daqui, mas, para quem tem um negócio, quando se tem sucesso, mesmo que somente em uma bolha social, fica muito fácil se conectar com novos clientes", relata Valentina.
Já o educador Pedro Afonso, 25, trabalha como criador de conteúdo e optou pelo mercado virtual para alcançar um número maior de clientes, inclusive fora do DF. "Embora a qualidade de vida aqui seja ótima, o ponto fraco dos negócios é o fato de serem muito ligados ao Estado ou a instituições já estabelecidas, ainda mais quando o assunto é educação", explica. "A internet existe como uma forma de alcançar mais pessoas e também de viabilizar o empreendedorismo para educadores menores",
reforça Pedro.
Para muitos jovens, o maior benefício de empreender é a independência com relação à própria vida. Sem contratos ou chefes, entrar no ramo ainda cedo é uma decisão arriscada e que atrai muitos julgamentos, mas que também abre espaço para uma série de oportunidades. "Uma frase ressoa na minha cabeça: 'O segredo não é a alma do negócio. A alma que é o segredo do negócio'. Acho que não existe receita mágica para o sucesso. O que fazemos é apenas seguir tentando", ressalta o fundador da Exímio Cacau.
* Estagiários sob a supervisão de Eduardo Pinho
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