Saúde

Filha de gestante que morreu no HRSam recebe alta médica

Com 2,9 quilos, Hellena deixou o hospital saudável e está sob o cuidado de familiares. Secretaria de Saúde do DF investiga morte de Maria Aparecida Caldino dos Santos

Em meio ao luto pela morte de Maria Aparecida Caldino dos Santos, de 25 anos, uma notícia trouxe um alento à família. Hellena, filha da jovem, recebeu alta hospitalar na quarta-feira e já está em casa sob os cuidados dos familiares. A informação foi confirmada pelo pai da bebê, Douglas Cardoso. A mãe da criança morreu após dar à luz no Hospital Regional de Samambaia (HRSam). Familiares denunciam negligência no atendimento.

Nascida em meio a uma sequência de acontecimentos que terminou com a morte da mãe, Hellena deixou o hospital saudável. Com 2,9 quilos, a recém-nascida passou pelos primeiros dias de vida sob observação médica, mas evoluiu bem e pôde seguir para casa. Segundo o pai, ela está bem e não apresenta qualquer complicação de saúde.

Para os familiares, a alta representa um raro momento de esperança em meio à dor. Enquanto ainda tentam lidar com a perda de Maria Aparecida, eles agora concentram os esforços em acolher a bebê, segunda filha de Maria Aparecida que chega ao lar cercada de carinho e da missão de manter viva a lembrança da mãe.

Apesar da boa notícia envolvendo a bebê, a família segue à espera de respostas sobre a morte de Maria Aparecida. Douglas Cardoso informou que o corpo da esposa havia sido encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML), responsável pelos exames periciais. Segundo ele, o prazo informado para a conclusão do laudo é de até 30 dias. O corpo será enterrado neste sábado (18/7), no Cemitério de Taguatinga.

Morte

O caso ganhou repercussão por ter ocorrido poucos dias após a morte de outra gestante na mesma unidade de saúde. A família denuncia negligência médica e afirma que Maria Aparecida desejava realizar uma cesariana, mas teria sido submetida a um parto normal, decisão que teria contribuído para a morte de Maria Aparecida.

A mãe de criação da jovem, Maria da Conceição, relatou que acompanhou o trabalho de parto e disse ter presenciado intenso sangramento após o nascimento da bebê, além de momentos de desespero dentro da sala de atendimento. Os familiares sustentam que houve demora na adoção de medidas para conter a hemorragia e salvar a vida da paciente.

A Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) informou que determinou a imediata apuração das circunstâncias do óbito e afirmou que a investigação será conduzida com prioridade e rigor. “Se forem constatadas responsabilidades, todos os envolvidos serão rigorosamente responsabilizados, com a adoção imediata das medidas administrativas, disciplinares e legais cabíveis”, diz a nota.

Ontem, em coletiva para a imprensa, o secretário de saúde, Juracy Cavalcante, afirmou que as duas mortes de gestantes registradas na última semana no Hospital Regional de Samambaia (HRSam), incluindo a de Maria Aparecida, estão relacionadas a complicações clínicas ocorridas durante o trabalho de parto, e não necessariamente à escolha do tipo de procedimento.

No caso de Maria Aparecida, o secretário destacou um problema relacionado à coagulação sanguínea. De acordo com ele, a paciente apresentou sinais atípicos, como sangramento nasal, o que levou a equipe a solicitar exames que não fazem parte do protocolo padrão do pré-natal.

“Era uma alteração de coagulação que acabou impactando diretamente na evolução do quadro clínico”, afirmou Cavalcante. 

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