
A morte de duas gestantes em um intervalo de três dias no Hospital Regional de Samambaia (HRSam) acenderam um alerta e passaram a ser investigadas. A direção da unidade afirma que instaurou protocolos de apuração e diz que ainda é cedo para concluir se houve falha da equipe médica.
“Quando ocorre algo do tipo, a gente dispara protocolos de revisão de todo o processo. Um deles é o protocolo de Londres, que analisa passo a passo o cuidado prestado à paciente”, disse o diretor do hospital, o médico Rafael Guimuzzi, em entrevista ao Correio.
Segundo ele, os dois casos são distintos, apesar das semelhanças, e foram analisados separadamente. “Ainda é muito cedo para dizer se houve falha assistencial ou se foi uma fatalidade. Mas, no mesmo dia do primeiro óbito, já iniciamos o processo, e após o segundo caso reunimos toda a equipe para reavaliar os fluxos”, detalhou.
Segundo relato dos familiares, em ambos os casos, as gestantes chegaram ao hospital em trabalho de parto e pediram cesariana, mas foram submetidas ao parto normal. Guimuzzi destacou que a decisão da via de parto é técnica, embora deva considerar a participação da paciente. “É fundamental ouvir e acolher a gestante, mas a definição entre cesariana e parto normal é baseada em critérios científicos e protocolos do Ministério da Saúde. O parto normal, em geral, é mais seguro, mas cada caso precisa ser avaliado individualmente”, afirmou. Ele ressaltou que o tempo de trabalho de parto pode variar e que a equipe monitora continuamente sinais como a frequência cardíaca do bebê para decidir eventuais intervenções.
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No caso de Maria Graciana, de 36 anos, que morreu na última sexta-feira (10/7), o diretor afirmou que a cesariana foi realizada rapidamente após a identificação de risco. “Entre o início da cirurgia e a retirada do bebê, foram cerca de cinco minutos, o que demonstra a agilidade da equipe diante do sofrimento fetal”, disse. Já em relação às críticas sobre a demora no atendimento, ele ponderou que o parto normal é um processo que pode levar horas e depende de fatores individuais de cada gestante.
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal também acompanha as apurações. De acordo com o superintendente da região Sudoeste, José Henrique Alencar, foram abertos processos internos sigilosos para cada caso. “Essas informações precisam ser tratadas com cautela para garantir o contraditório. Nosso foco é apurar tudo com rigor e evitar que situações semelhantes se repitam”, afirmou. Ele acrescentou que equipes foram mobilizadas para revisar procedimentos e reforçar a segurança no atendimento às gestantes.

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