
Com o tema "Ler o amanhã", a 6ª Bienal Internacional do Livro de Brasília (BILB) encerra, hoje, sua programação, reafirmando a capital federal como um território vivo da palavra escrita. Ao longo de sete dias, o Museu Nacional da República foi ocupado por encontros entre autores, editoras, educadores, estudantes, artistas, livreiros e milhares de leitores. A partir de eixos que abordaram desde inteligência artificial até a sustentabilidade e o papel da literatura na transformação social, o evento buscou integrar as artes rumo à formação de leitores e ao fortalecimento do setor editorial.
"Para esta edição, buscamos ampliar o escopo da Bienal, transcendendo a perspectiva tradicional focada estritamente em livros, editoras e distribuição. Entendemos que as artes convergem e fazem parte do universo literário. Música, circo e teatro integram este contexto; portanto, quisemos realizar um evento que unificasse diversas manifestações artísticas", avalia Stella Domenico, presidente do Instituto Eleva, responsável pela realização do evento. Segundo ela, o conceito de "Ler o Amanhã" reside, justamente, nesta ideia de integração.
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Um dos pilares centrais da 6ª BILB foi a presença de estudantes da rede pública de ensino do Distrito Federal. A organização viabilizou o transporte em ônibus dedicados para cerca de 9 mil crianças e adolescentes, além de distribuir vales-livro para que os alunos pudessem circular entre os estandes e escolher suas próprias leituras.
"Considero esta participação fundamental. A escola é um espaço que transcende o âmbito familiar, oferecendo experiências que, muitas vezes, a criança não teria acesso em seu ambiente doméstico. Proporcionar a jovens e crianças o contato com uma Bienal do Livro, uma peça teatral ou uma apresentação circense é algo marcante, que pode ampliar seus horizontes", ressalta Stella Domenico.
A experiência se estendeu ao olhar dos responsáveis que acompanharam os pequenos nos espaços lúdicos e teatrais. A consultora de imagem Niágara Tavares, 31 anos, levou a filha Lahana, de 5 anos, para assistir à apresentação do grupo circo-teatral Excêntrica Família Firula antes de retornar no dia seguinte para registrar conteúdos do seu projeto social.
"Eu sou mãe solo e tento conciliar a tela com o lúdico, incentivando brincadeiras e diferentes livros. A estrutura está ótima e o fato de a brinquedoteca ser de graça também é maravilhoso. Além disso, é um local de excelente acesso. Acho que a leitura tem o poder de nos levar para outros lugares, sabe?", conta Niágara, que atua no Brechó Circulou, projeto que une moda e arrecada doações de livros para distribuir em comunidades vulneráveis.
Afetos nos corredores
Entre as centenas de expositores e estandes interativos, a literatura fluía por meio do hábito da descoberta casual. A fisioterapeuta Isabela Rebelo, 48, visitou a Bienal acompanhada da filha Manuela, 12, que circulava animada com os exemplares recém-adquiridos nos sebos. "Comprei para mim um suspense e mais dois livros para minha menina. O que mais gosto da leitura é justamente a possibilidade de imaginar cenários e personagens", diz.
Para Isabela, os livros são também uma forma de trabalhar o vocabulário e conhecer culturas diferentes. "Sempre fui muito incentivada pelos meus pais e, igualmente, estimulo minha fila", relata. Manuela reforça o entusiasmo: "Sou obcecada por literatura. Escolhi Harry Potter e estava, há pouco, comprando o quinto livro. Em casa, tem mais três me esperando", destaca.
O evento também se consolidou como uma vitrine para projetos sociais de incentivo à leitura. A mediadora de leitura Mariath Oliveira, 58, esteve à frente do espaço do projeto Mala do Livro, ação da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF que instala mini-bibliotecas na casa de leitores voluntários. Durante apresentações e dentro do estande, dedicou-se a contar histórias para as crianças, trabalho voluntário que também desempenha em escolas públicas.
"Ver a reação das crianças, presenciar essa festa literária e utilizar a leitura como ferramenta de motivação é algo extremamente enriquecedor. Como não tive tanto acesso aos livros na minha infância, poder proporcionar esse contato hoje — sentar com os pequenos, ler para eles e ouvi-los recontar as histórias — é uma experiência maravilhosa. São futuros leitores e, quem sabe, futuros escritores", descreve Mariath.
Novos autores
A movimentação econômica atraiu livreiros de diversos estados do Brasil, evidenciando o apelo comercial de Brasília. O livreiro mineiro Marcos Ferreira, proprietário da São Marcos Livraria, trouxe cerca de 18 mil títulos de Belo Horizonte. Todos por R$ 10. "Desde o primeiro dia, a movimentação está alta. Vendemos (na sexta-feira) metade dos livros. Brasília tem um público leitor muito grande, então vale a pena. Outros colegas livreiros vieram de São Paulo e Rio de Janeiro", explica, entre uma venda e outra.
A feira também abriu portas para lançamentos da literatura local. O redator publicitário Rodrigo Alves de Carvalho, 40, morador de Sobradinho, usou o espaço para apresentar o seu livro de estreia, Antes do fim do mundo, assinado sob o pseudônimo A.C. Rod. "É um drama familiar pós-apocalíptico, no qual uma família de fazendeiros tenta levar uma rotina normal enquanto lida com as consequências do fim do mundo", conta.
O projeto, segundo Rodrigo, era um roteiro que havia escrito para um filme em 2019 e foi adaptado para livro. "É uma experiência muito gratificante ter o primeiro livro lançado, ainda mais sendo na Bienal Internacional do Livro de Brasília. Eu não podia perder essa oportunidade", comemora o autor, preparando-se para subir ao palco.
Lançamento
Morador de Brasília há 50 anos, o presbítero e ex-seminarista Mário-Zam Belmiro Rosa, que já atuou como corregedor do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), além de desembargador, lançará, hoje, o livro A missão do Espírito Santo no mundo, durante a Bienal Internacional do Livro de Brasília (Museu Nacional da República). A publicação será lançadaentre 15h e 17h, no estande da Tagore Editora.
Com o tema Conhecendo o Deus que habita com os salvos, a obra do magistrado, formado em direito pela Associação de Ensino Unificadodo Distrito Federal (Aeudf), desenvolve tópicos como o fim dacivilização humana e do mundo. O livro igualmente acompanha conceitos como o do arrebatamento e a segunda vinda de Cristo, além do julgamentofinal e do milênio. Aplicado aos estudos e à escrita de textos religiosos desde a juventude, em Douradoquara (Minas Gerais) e Anápolis (GO), o membro da Academia Evangélica de Letras cerca, na nova obra, a manifestação especial do Espírito Santo no início da Igreja Cristã e desenvolve conceitos ligados a símbolos e ao batismo.
Saiba Mais
BILB em números
Duração: 7 dias de programação no Museu Nacional da República
Formação de leitores: 9 mil estudantes da rede pública de ensino atendidos com transporte gratuito
Investimento direto: R$ 500 mil aplicados em vales-livro para a rede pública
Atrações: cerca de 50 atividades e apresentações com artistas e profissionais do DF
Geração de empregos: 600 postos de trabalho diretos na produção, segurança e técnica, e 500 postos indiretos (hotelaria, transporte e alimentação)
Lançamento
Morador de Brasília há 50 anos, o presbítero e ex-seminarista Mário-Zam Belmiro Rosa, atualmente destacado como corregedor do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), além de desembargador, lançará, hoje, o livro A missão do Espírito Santo no mundo, durante a Bienal Internacional do Livro de Brasília (Museu Nacional da República). A publicação será lançada entre 15h e 17h, no estande da Tagore Editora.
Com o tema Conhecendo o Deus que habita com os salvos, a obra do magistrado, formado em direito pela Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal (Aeudf), desenvolve tópicos como o fim da civilização humana e do mundo. O livro igualmente acompanha conceitos como o do arrebatamento e a segunda vinda de Cristo, além do julgamento final e do milênio. Aplicado aos estudos e à escrita de textos religiosos desde a juventude , em Douradoquara (Minas Gerais) e Anápolis (GO), o membro da Academia Evangélica de Letras cerca, na nova obra, a manifestação especial do Espírito Santo no início da Igreja Cristã e desenvolve conceitos ligados a símbolos e ao batismo.

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