Itapoã

Laudo confirma que morte de menino foi por choque elétrico

Segundo a Polícia Civil (PCDF), o garoto sofreu uma descarga elétrica ao encostar em um trailer. Proprietário pode ser responsabilizado. Prazo para encaminhar inquérito ao Ministério Público se encerra na próxima semana

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) concluiu os principais laudos da investigação sobre a morte de Erick de Sousa Soares, de 12 anos, que sofreu uma descarga elétrica ao encostar em um trailer, no Itapoã, em 24 de julho. Os exames confirmaram que sinais no corpo da vítima são compatíveis com morte decorrente de choque elétrico. A partir das provas periciais e dos depoimentos reunidos no inquérito, a corporação concluiu que o caso pode ser atribuído penalmente ao proprietário do trailer.

De acordo com o delegado-chefe da 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), Bruno Cunha, a polícia ainda vai definir na próxima semana qual será o enquadramento jurídico do proprietário por dolo eventual ou culpa. O prazo final para encaminhar o inquérito ao Ministério Público é na próxima semana, e os investigadores agora fazem as análises jurídicas para definir a responsabilização.

Investigação

Segundo Bruno Cunha, foi iniciada a coleta de depoimentos e a realização de exames periciais. Testemunhas relataram que, no momento em que o menino foi buscar uma bola e tocou no trailer, o equipamento estava conectado a uma tomada por meio de uma extensão. A informação contrariava a versão apresentada pelo proprietário, que afirmou à polícia que o trailer estava desligado.

A confirmação técnica veio com os laudos periciais. O exame cadavérico encontrou no corpo do menino indícios característicos de morte por descarga elétrica. Para o delegado, o resultado reforçou os relatos das testemunhas de que o trailer estava conectado a uma fonte de energia no momento do acidente.

Outras testemunhas também relataram que haviam ocorrido episódios anteriores de choque elétrico no trailer, porém, com uma menor intensidade. Segundo os relatos, o proprietário tinha conhecimento desses defeitos e da possibilidade de choques. Os depoimentos apontaram ainda que o reboque permanecia conectado à energia durante a noite e em diferentes momentos do dia, mesmo quando a extensão ficava sobre o chão seco ou molhado.

Os investigadores também averiguaram que o trailer de alimentação permanecia estacionado em frente à residência do proprietário, sem qualquer tipo de isolamento. Dessa forma, a estrutura metálica ficava acessível às pessoas que passassem pelo local e pudessem encostar no equipamento.

Energia

O laudo de local, realizado no veículo, identificou uma tomada no interior do equipamento que apresentava defeito e provocava fuga de eletricidade. "Essa fuga resultava numa energização da parte metálica do trailer, capaz de produzir choques de até 220 volts", afirmou o delegado Bruno Cunha.

O exame também apontou a ausência de dispositivos de segurança necessários pelas normas, entre eles o disjuntor DR e o aterramento. A perícia constatou que tanto a extensão utilizada para conectar o trailer à residência quanto a tomada residencial também não possuíam esses dispositivos. "Caso os mecanismos de segurança estivessem instalados, provavelmente o choque não teria ocorrido", disse o delegado.

Penalização

O proprietário do trailer não chegou a ser preso durante a investigação. Segundo o delegado, ele permaneceu colaborativo e participou dos procedimentos realizados pela Polícia Civil. Em dois depoimentos formais prestados na delegacia, o proprietário afirmou que o trailer não estava conectado à tomada no momento do acidente. Ele também declarou que não tinha conhecimento de que o equipamento apresentava defeitos.

O delegado explicou que a polícia precisa analisar se os elementos reunidos apontam para uma conduta caracterizada como dolo eventual ou culpa. Depois disso, o inquérito será encaminhado ao Ministério Público, que poderá fazer sua própria análise e solicitar novas investigações para complementar a investigação.

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