
O CB.Agro recebeu o pesquisador da Embrapa Felipe Ribeiro nesta sexta-feira (11/9) para uma conversa sobre o Dia Nacional do Cerrado, 11 de setembro, e formas de conciliar produção e preservação em um dos biomas mais ricos e estratégicos do país a partir das mudanças climáticas vivenciadas em todo o planeta. Na bancada, os jornalistas Sibele Negromonte e Carlos Alexandre de Souza.
Valorizar o Cerrado como berço das águas, para o especialista, é necessário para sua preservação. Para ele, o país "depende da água do Cerrado. Isso é fundamental para a vida local como nacional. A água que chove aqui, cai para o resto do Brasil". Ribeiro aponta que é urgente a formulação de políticas públicas para financiamento de pesquisas sobre produção de alimentos sustentável e alternativas agroecológicas.
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Com clima savânico, o Cerrado possui mais de 12 mil espécies adaptadas ao clima úmido no verão e seco no inverno. O pesquisador destaca como essencial que a agropecuária busque adequação à essa peculiaridade para a preservação. "É isso que a gente chama de conservar, de boas práticas agropecuárias. Como a gente entende essa oferta ambiental que o bioma oferece para agricultura?", diz.
Com os impactos ambientais no bioma, Ribeiro categoriza os atores envolvidos em uma corrente para "salvar o Cerrado". Ele explica que o produtor precisa de conhecimentos novos, elaborados pelos pesquisadores. O consumidor também é um ator que está muito distante. "Educar o cidadão da cidade é mostrar que a agroecologia tem um produto que ele não vai conseguir em outro lugar", pondera Ribeiro.
Apesar dos grupos que compõem a rede serem capazes de trilhar a preservação do bioma e relações mais ecológicas, o pesquisador enfatiza que "salvar o Cerrado' precisa partir de outro ator, que é a política pública, financiamento dos órgãos de apoio à pesquisa. Custear o produtor na sua forma de plantio (mais sustentável). Felipe Ribeiro também alerta que a iniciativa privada é grandiosa nesse processo.
O pesquisador da Embrapa reforça que o caminho principal na conservação da natureza cerratense é a valorização e viabilização da pesquisa e, em seguida, a prática desses saberes reunidos na agricultura. "O desafio é: Quais seriam as soluções? A gente tem, só não conseguiu colocar essa informação do jeito que a gente gostaria, pra fora", conclui.
Assista a entrevista completa:
*Estagiária sob a supervisão de Málcia Afonso