
Com estreia prevista para 30 de outubro no Canal Brasil e, no dia seguinte, no Globoplay, a série de drama policial Delegado pretende dar uma cara brasileira ao gênero. O lançamento, no sábado, foi diferenciado — os três primeiros episódios foram exibidos em um dos espaços mais importantes para o cinema nacional, o Festival de Brasília. Foi a primeira vez que o evento levou uma série à tela.
Parte da equipe da série, criada e dirigida por Marcelo Lordello e Leonardo Lacca, voltou ao Cine Brasília ontem para falar sobre o projeto, com a participação dos produtores Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux e dos atores Rubens Santos e Virgínia Cavendish.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
Protagonizada por Johnny Massaro, a trama acompanha Felipe, jovem de classe média que ingressa na Polícia Civil. Ao assumir uma delegacia no Recife, ele se depara com uma instituição marcada pela precariedade, corrupção e resistência às mudanças. O personagem também precisa lidar com uma nova liderança do tráfico e questões relacionadas ao passado de seu pai, que podem colocar sua carreira em risco.
Léo Lacca relembra que a série surgiu de uma experiência pessoal. O cineasta tinha um amigo que acabou entrando para a polícia. Em um encontro, o amigo chegou armado. "Aquilo ali me impactou, porque é um cara que eu nunca esperava que viraria policial, e ele começou a contar algumas histórias. Compartilhei com Marcelo e Tião (criadores), e a gente começou a desenvolver esse embrião. Começamos a pesquisar, porque é um universo que está muito perto da gente, mas, no imaginário cinematográfico, está muito diferente da realidade", destacou.
Para ele, a série tem potencial para levantar o debate sobre a Justiça brasileira. "O Felipe tem muitos lugares para atravessar, e esses atravessamentos são muito reveladores de muita coisa do país que a gente está vivendo. Olha o Brasil de hoje, o mundo está virando de pernas para o ar e a Justiça está completamente implicada nisso", avaliou.
Outro ponto muito importante da série é o DNA brasileiro e recifense. "Tem um potencial de falar sobre os contrastes da sociedade brasileira, mas com um tesão muito grande de sair desses padrões que a gente via de séries tanto americanas quanto brasileiras que emulavam as séries americanas", comenta Marcelo Lordello, diretor do longa.
Lógica brasileira
Para Kleber Mendonça Filho, as melhores obras brasileiras podem ser universais, mas precisam ter uma lógica brasileira. "Quando eu li o roteiro do delegado, eu achei tudo o que me chama atenção, tudo que eu acho de bom em uma história, estava lá. Tem mistério, tem violência, tem pessoas que trabalham com um segredo por trás, tem corrupção, e tem essa lógica brasileira", enfatiza.
O cineasta destaca que o projeto traz uma observação muito afinada sobre a vida no país. "Eu fico muito feliz de fazer parte dessa história. Emilie, como grande produtora, fez isso acontecer. Eu venho acompanhando todos os roteiros, acompanhei a montagem, mas mesmo assim, eu fiquei muito impressionado com o que eu vi ontem."
Na série, a delegacia está sendo deixada de lado pelo Poder Público, assim como algumas vezes ocorreu com o Cine Brasília. "O fato de passar no Cine Brasília e a série falar sobre espaços que mereciam uma atenção maior, é um espelho do Brasil", diz Kleber. Para ele, os moradores da capital precisam lembrar que o Cine Brasília não é um lugar qualquer.
"Esse espaço deve sempre ser tratado como um espaço de cultura, onde ideias surgem, onde pessoas se encontram. Uma sala de cinema da maneira como foi construída e desenhada com a história do Festival de Brasília, mais do que nunca, deve ser mantida viva o tempo todo até o fim dos tempos", finalizou.
Diversão e Arte
Diversão e Arte
Diversão e Arte