O ataque contra Flávia Gomes, 36 anos, que terminou em sua morte, ocorreu diante de moradores do Itapoã, na noite de segunda-feira (7/9). Imagens de câmeras de segurança mostram que a presença de testemunhas não intimidaram o autor do crime, o vigilante Anderson Gonçalves, marido de Flávia. Os moradores que presenciaram o feminicídio, também não intervieram. Anderson fugiu do local mas acabou preso em flagrante pela polícia na manhã desta terça-feira (8/9). Ele responderá por feminicídio qualificado.
Pouco antes das 19h de ontem, Flávia e Anderson discutiram dentro de casa. A residência fica a duas ruas do local onde ocorreu o feminicídio. Não era a primeira briga, relataram os familiares ao Correio. Desde que se conheceram, há mais de nove anos, a relação foi marcada por agressões psicológicas e físicas, além de perseguições. "Ele não deixava a gente entrar na casa dela (Flávia), controlava todos os passos dela e a perseguia. Uma vez ela me chamou para vir comer um bolo com ela, mas eu nunca me dei bem com esse cara", desabafou Ana Gomes, uma das irmãs da vítima.
Depois da discussão de ontem, Flávia pegou a filha caçula e caminhou até um supermercado próximo. Fez compras e retornava para a casa com a menina no colo. Testemunhas narraram ao Correio que, na volta, Anderson a cercou, sacou uma faca e a esfaqueou até que ela caisse no chão com as sacolas de compras. Antes de desfalecer, Flávia mandou a filha correr. Conforme mostram as imagens, o autor segura a vítima e os dois entram em luta corporal. Neste momento, pessoas passam na rua, mas não intervêm.
Anderson foi detido na manhã desta terça-feira (8/9). "Ele foi preso antes de se entregar, porque a equipe já estava no encalço e o prendeu nas proximidades da delegacia. Ao saber que a polícia estava o procurando, se entregou", contou o delegado Machado Júnior, da 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá). Após prestar depoimento junto ao seu advogado, o assassino foi encaminhado à Divisão de Controle e Custódia de Presos (DCCP). Ele responderá por feminicídio qualificado.
O Correio optou por não diviulgar o vídeo em respeito à vítima, para preservar a sua dignidade e para não revitimizar a família.
