exploração sexual

Cafetina reabre casa de prostituição e é presa pela segunda vez

Mulher havia recebido liberdade provisória dias após primeira prisão em flagrante na CLN 307; 2ª DP descobriu que imóvel voltou a funcionar e que suspeita comandava o local a distância

Menos de uma semana após ser presa em flagrante pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), uma mulher apontada como administradora de uma casa de prostituição na CLN 307 voltou a ser detida. Beneficiada com a liberdade provisória pela Justiça, a suspeita reabriu o estabelecimento comercial e continuou a comandar a exploração sexual a distância. A nova prisão ocorreu na tarde de terça-feira (29/9), no Riacho Fundo, após investigações da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte).

A primeira investida policial no endereço ocorreu na última quinta-feira (24/9), quando investigadores cumpriram mandados de busca e apreensão no local. Na ocasião, as equipes constataram que de 14 a 16 mulheres se alternavam em três turnos em salas comerciais de espaço reduzido, insalubre e sem conforto. A administradora retinha entre R$ 50 e R$ 80 de cada atendimento, além de lucrar com a venda de bebidas e a cobrança de taxas para divulgação das fotos das vítimas em sites.

Mesmo após a ação policial e a liberação da investigada na audiência de custódia, os agentes mantiveram o monitoramento da quadra e constataram que as salas comerciais voltaram a operar o esquema de prostituição. Diante do flagrante, os policiais localizaram a mulher no Riacho Fundo, onde ela gerenciava as atividades do local remotamente, e efetuaram a segunda prisão.

Divulgação/PCDF - Estabelecimento na Asa Norte foi fechado

Lucro com o trabalho alheio

A reabertura do ponto na CLN 307 representa mais um capítulo da ofensiva coordenada pela 2ª DP para desarticular a exploração sexual no Plano Piloto, que resultou no fechamento de quatro estabelecimentos no bairro em apenas dois meses.

O delegado titular da 2ª DP, Fernando Cocito, ressaltou que a atuação da polícia é focada no combate ao rufianismo (cafetinagem) e aos crimes associados que afetam a vizinhança. "Ninguém está ali para punir a prostituição; a gente está para punir a cafetinagem. A legislação brasileira não pune a mulher ou o homem que comercializa o próprio corpo, tampouco o cliente. O crime está na figura da cafetina ou do cafetão, que lucra em cima do trabalho alheio, cobra taxas abusivas e gerencia locais voltados à exploração", explicou.

Além da exploração em si e das condições degradantes impostas às mulheres — que relatavam proibição de se alimentar ou sair até atingir metas de atendimento —, a polícia alerta para o impacto na segurança pública do entorno. As investigações indicam que as casas funcionam como polos de atração para o tráfico de drogas e extorsões contra clientes, com exigências de transferências via Pix sob ameaça física.

Com a segunda prisão, a suspeita responderá novamente pelo crime de manutenção de casa de prostituição, cuja pena varia de 2 a 5 anos de reclusão. A PCDF reforça que a população pode colaborar com denúncias anônimas pelo número 198, pelo site da instituição ou diretamente na 2ª DP.

Mais Lidas