SAÚDE

Covid-19: medicamento para artrites reduz risco de morte em 37%

Pesquisa brasileira mostra que remédio para artrites pode diminuir a chamada tempestade de citocinas, uma reação exagerada do corpo ao Sars-CoV-2 que leva ao agravamento da covid-19

Correio Braziliense
postado em 17/06/2021 06:00
Médico examina paciente no Einstein: terapia experimental realizada em 15 hospitais do país também pode evitar a insuficiência respiratória -  (crédito: Nelson Almeida/AFP)
Médico examina paciente no Einstein: terapia experimental realizada em 15 hospitais do país também pode evitar a insuficiência respiratória - (crédito: Nelson Almeida/AFP)

A velocidade com que o coronavírus se espalha pelo mundo é extremamente mais rápida do que o ritmo do conhecimento produzido por cientistas sobre essa nova ameaça à saúde pública. Mas, mesmo em desvantagem, pesquisadores avançam significativamente na busca por vacinas e tratamentos mais eficazes. É o caso de um estudo brasileiro divulgado no The New England Journal of Medicine. A pesquisa mostra que o uso de um medicamento indicado para artrites reduz em 37% o risco de morte em pacientes internados por covid-19. Também nesta quarta-feira (16/6), pesquisadores britânicos divulgaram que um coquetel de anticorpos usado no tratamento da fase precoce da doença é eficiente em pacientes hospitalizados.

Os cientistas brasileiros resolveram avaliar, em indivíduos infectados com o novo coronavírus, a eficácia do medicamento tofacitinibe, usado atualmente no tratamento de enfermidades como a artrite reumatoide, a artrite psoriásica e a retocolite ulcerativa. O remédio faz parte de uma classe de drogas chamadas inibidores de janus quinase (JAKs), moléculas que agem em doenças inflamatórias. A suspeita era de que, na covid-19, essa molécula poderia diminuir o risco de ocorrência da “tempestade de inflamações” gerada pelo Sars-CoV-2, responsável pelo agravamento da covid-19.

O remédio foi aplicado em um grupo de 289 pessoas internadas em 15 hospitais brasileiros há, no máximo, três dias. Todos os participantes enfrentaram a fase inflamatória da doença, que se dá logo após a ocorrência dos sintomas, e tiveram pneumonia, mas sem a necessidade de respiração artificial. Parte deles recebeu o medicamento experimental duas vezes por dia, além do tratamento padrão da doença, até ter alta ou completar 14 dias de hospitalização. Outra metade recebeu placebo e a terapia padrão.

Além disso, cerca de 90% dos participantes receberam glucorticoides durante o tratamento, medicamentos que já demonstraram eficácia em pacientes hospitalizados com covid-19. Os resultados foram animadores, avalia a equipe. Após 28 dias, os pesquisadores observaram que o uso do remédio reduziu em 37% o risco de morte ou falência respiratória.

“As respostas de nosso estudo indicam que a utilização do medicamento, quando associado ao tratamento padrão, que inclui glicocorticoides, reduz o risco de morte ou de insuficiência respiratória em pacientes hospitalizados com pneumonia por covid-19 que ainda não estão necessitando de ventilação mecânica ou de ventilação não invasiva”, declara, em comunicado, Otavio Berwanger, diretor da Academic Research Organization (ARO), grupo pertencente ao Hospital Albert Einstein, em São Paulo, e um dos responsáveis pela pesquisa.

Efeitos adversos

Os pesquisadores acreditam que o medicamento pode ser uma das novas opções a serem usadas no combate à covid-19, principalmente por não ter gerado complicações preocupantes durante o tratamento experimental. “Eventos adversos severos foram, de maneira geral, semelhantes entre tofacitinibe e o placebo”, compara Berwanger. “Esse estudo representa mais uma prova de que o caminho para buscarmos soluções para essa pandemia é por meio da ciência séria, colaborativa e ética.”

O trabalho foi feito em parceria com a empresa Pfizer, que produz o medicamento tofacitinibe, considerado uma abordagem de alto custo. “Trata-se de uma importante evidência científica na luta contra a doença, e a Pfizer segue muito empenhada em buscar novas opções terapêuticas”, declara, em comunicado, Márjori Dulcine, diretora Médica da Pfizer Brasil.

» OMS acompanha a variante Lambda

A Organização Mundial da Saúde (OMS) nomeou como Lambda uma nova cepa do Sars-CoV-2 identificada, pela primeira vez, no Peru, em agosto de 2020. Ela é responsável por 81% dos casos registrados, desde abril deste ano, no país, e há ocorrências de infecção em várias nações vizinhas. A agência da ONU também a classificou como cepa “de interesse”, um indício de que está observando seu comportamento em termos de poder de contágio. A classificação seguinte é a de “variante preocupante”, como a Alfa, a Beta, a Gama e a Delta.

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