Meio Ambiente

99% da população mundial respiram ar poluído

Os moradores de países de baixa e média renda sofrem com as maiores exposições aos tóxicos. A redução do uso de combustíveis fósseis é uma medida urgente para enfrentar o cenário ameaçador à saúde

Correio Braziliense
postado em 05/04/2022 06:00 / atualizado em 05/04/2022 06:21
 (crédito: Justin Tallis/AFP)
(crédito: Justin Tallis/AFP)

Praticamente toda a população mundial, 99% das pessoas do planeta, respira um ar com quantidade de partículas poluentes maior do que o recomendado, alerta um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS). A agência das Nações Unidas também mostra, no mesmo documento, que os moradores de países de baixa e média renda sofrem com as maiores exposições aos tóxicos e que a redução do uso de combustíveis fósseis é uma medida urgente para enfrentar esse cenário tão ameaçador à saúde global — a estimativa é de que 7 milhões de pessoas morram anualmente devido à poluição atmosférica.

O documento divulgado ontem considera dados de 117 países colhidos entre 2010 e 2019. Os especialistas monitoraram a quantidade de partículas com diâmetros iguais ou inferiores a 10 micrômetros (PM10) ou 2,5 micrômetros (PM2,5) presentes no ar. Esses materiais minúsculos, especialmente o PM2,5, conseguem penetrar profundamente nos pulmões e entrar na corrente sanguínea, causando impactos cardiovasculares, cerebrovasculares e respiratórios. Pela primeira vez, a equipe também analisou as medições terrestres das concentrações médias anuais de dióxido de nitrogênio (NO2), um poluente urbano comum associado a doenças respiratórias, principalmente a asma.

As análises indicam que os países de baixa e média renda seguem apresentando maior exposição a níveis insalubres de PM, em comparação à média global. Em 17% das cidades de países de alta renda, o nível de partículas PM2,5 ou PM10 está abaixo das diretrizes estabelecidas. Já nas nações de baixa e média renda, a taxa cai para 1%. Os padrões de NO2, por sua vez, refletem outro cenário, com uma diferença menor entre as localidades.

"Cerca de 4 mil cidades e territórios em 74 países coletam dados de NO2 ao nível do solo. Em conjunto, as medições mostram que apenas 23% das pessoas nesses locais respiram concentrações médias anuais de NO2 que atendem aos níveis da versão recentemente atualizada das Diretrizes de Qualidade do Ar da OMS", relatam os autores do documento. Essas regras foram revisadas no ano passado e se tornaram mais rigorosas, em um esforço, segundo a agência, para ajudar os países a avaliarem melhor a salubridade do ar.

Energia limpa

O novo relatório também traz uma série de medidas a serem tomadas para reduzir os níveis de poluição atmosférica. A redução do uso de combustíveis fósseis é uma das mais estratégicas, apontam os autores. "As preocupações atuais com a energia destacam a importância de acelerar a transição para sistemas mais limpos e saudáveis. Os altos preços desses produtos, a segurança energética e a urgência de enfrentar os dois desafios — da poluição do ar e das mudanças climáticas — ressaltam a necessidade premente de avançar mais rapidamente em direção a um mundo muito menos dependente de combustíveis fósseis", afirma, em comunicado, Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. Outras medidas indicadas no relatório são construir sistemas de transporte público seguros e acessíveis, criar redes amigáveis para pedestres e ciclistas, implementar padrões mais rígidos de emissões e eficiência dos veículos, melhorar a gestão de resíduos industriais e municipais e reduzir a incineração de resíduos agrícolas. O monitoramento da qualidade do ar, também indicado, passa por um momento promissor. Há um número recorde de cidades, mais de 6 mil, fazendo esse controle, mostra o documento. O número representa cerca de 80% da população urbana do mundo, segundo Sophie Gumy, do Departamento de Meio Ambiente, Mudanças Climáticas e Saúde da OMS.

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