DESCOBERTA

Cientistas observam criação de metal mais pesado da Terra pela 1ª vez

A síntese do tungstênio e dos elementos selênio e telúrio pôde ser vista após uma das maiores explosões de raios gama já vistas

Fenômeno foi causado pela colisão de dois corpos celeste denominados estrelas de nêutrons -  (crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, Andrew Levan (IMAPP, Warw))
Fenômeno foi causado pela colisão de dois corpos celeste denominados estrelas de nêutrons - (crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, Andrew Levan (IMAPP, Warw))
postado em 25/10/2023 20:11 / atualizado em 25/10/2023 20:11

A criação de três pesados elementos químicos foi observada pela primeira vez na história. A síntese dos átomos tungstênio (W), selênio (Se) e telúrio (Te), de número 74, 34 e 52, respectivamente, na tabela periódica, foram vistas após uma explosão cósmica de raios gama (GRB) em uma galáxia distante. O primeiro do três, pertencente à categoria dos “metais de transição”, é o metal mais pesado que pode ser removido naturalmente da Terra.

O estudo, publicado na revista Nature, contribui para entender a origem de mais elementos presentes no universo. As partículas com massa atômica mais pesada que o ferro (Fe), de número 26 na tabela periódica, ainda são um mistério para a ciência. Isso porque os átomos mais pesados que ele passam a ter origem em outro processo de formação.

A explosão analisada aconteceu em março deste ano. Para observar o fenômeno, de acordo com comunicado da plataforma EurekAlert, foram utilizados uma série de telescópios terrestres e espaciais, incluindo o Telescópio Espacial James Webb da NASA, o Telescópio Espacial de Raios Gama Fermi e o Observatório Neil Gehrels Swift.

Professor assistente de astronomia na Universidade de Birmingham e coautor do estudo, Dr. Ben Gompertz explica à EurekAlert que o feito se deu pela colisão de dois corpos celestes denominados estrelas de nêutrons, que viajaram por milhões de anos uma em direção à outra até colidirem, provocando a explosão. Essa explosão recebe o nome de kilonova.

A explosão de raios gama, nomeada GRB 230307A , foi uma das mais brilhantes já observadas e durou 200 segundos. A longa duração do evento é um acontecimento incomum e geralmente derivado da morte de uma estrela massiva, estrelas que tem mais de oito vezes a massa do Sol.

“Até recentemente, não pensávamos que as fusões pudessem alimentar explosões de raios gama durante mais de dois segundos”, pontua Dr. Gompertz. “A nossa próxima tarefa é encontrar mais destas fusões de longa duração e desenvolver uma melhor compreensão do que as motiva – e se estão a ser criados elementos ainda mais pesados. Esta descoberta abriu a porta para uma compreensão transformadora do nosso universo e de como ele funciona.”

 

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