
Um estudo liderado por pesquisadores brasileiros mostra a reação do sistema imunológico do primeiro paciente a receber transplante de um rim de porco. O procedimento, considerado um feito histórico na medicina moderna, foi feito em um paciente de 62 anos em março de 2024, no Hospital Geral de Massachusetts, Estados Unidos. O homem morreu dois meses depois, de fibrose miocárdica crônica pré-existente.
A nova pesquisa, publicada na Nature Medicine nesta sexta-feira (9/1), aponta para a viabilidade do xenotransplante, transplante de órgãos e tecidos de outra espécie animal, geralmente porcos geneticamente modificados, para humanos. No entanto, os pesquisadores alertam que não basta controlar a rejeição inicial. Isso porque a ativação da imunidade inata, primeira linha de defesa do organismo contra aquele corpo considerado estranho, pode comprometer a sobrevida do paciente.
“Não basta controlar apenas a imunidade adaptativa, como fazemos tradicionalmente nos transplantes entre humanos. Será necessário também desenvolver estratégias específicas para modular a resposta imune inata e garantir a sobrevivência prolongada de enxertos xenogênicos em humanos”, explica o autor Thiago Borges, professor e pesquisador no Hospital Geral de Massachusetts e na Harvard Medical Schooll, à Agência da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Para isso, os cientistas estudam combinar terapias direcionadas ao sistema imunológicos dos pacientes e investir em engenharia genética avançada nos animais que devem ser doadores.
Segundo Borges, o estudo dá luz às pesquisas sobre xenotransplantes, visto que essa é a primeira vez que a reação humana foi registrada em alta resolução. A pesquisa também mostra a importância do papel da imunidade inata após a rejeição inicial.
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“Demonstramos que fragmentos de DNA do rim de porco circulando no sangue do paciente podem ser usados como marcador sensível e não invasivo de rejeição”, explica. “Isso abre a possibilidade de monitorar o enxerto em tempo real, o que potencialmente reduz a necessidade de biópsias”.
Os xenotransplantes são uma alternativa para as crescentes filas de transplante de órgãos, diante da insuficiência de doadores. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 42.838 pacientes aguardam um transplante de rim no Brasil.

Ciência e Saúde
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