INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Cientista perde trabalho por clique errado em plataforma de IA

Professor alemão diz ter excluído arquivos de pesquisa ao desativar opção de compartilhamento de dados no ChatGPT

Dois anos de trabalho foram perdidos após desativação de consentimento de dados -  (crédito: OLIVIER DOULIERY/AFP)
Dois anos de trabalho foram perdidos após desativação de consentimento de dados - (crédito: OLIVIER DOULIERY/AFP)

Ao desativar uma opção de consentimento de dados no ChatGPT, o cientista Marcel Bucher, professor da Universidade de Colônia, na Alemanha, perdeu permanentemente dois anos de anotações, rascunhos e projetos acadêmicos armazenados na plataforma, sem aviso prévio ou possibilidade de recuperação. O artigo foi publicado pelo próprio pesquisador em um artigo na revista científica Nature

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Segundo Bucher, o ChatGPT se tornou essencial em sua rotina profissional. Ele usava a ferramenta para escrever e-mails, revisar artigos, planejar aulas, estruturar pedidos de financiamento e até analisar respostas de alunos. Apesar de saber que modelos de linguagem podem cometer erros factuais, as chamadas "alucinações", o professor afirmou que confiava na estabilidade do ambiente de trabalho oferecido pela plataforma, principalmente na possibilidade de retomar conversas e projetos salvos ao longo do tempo. 

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Em agosto de 2025, o professor decidiu testar as configurações de privacidade da ferramenta. Ao desativar temporariamente o "consentimento de dados", queria apenas verificar se continuaria tendo acesso às mesmas funcionalidades, mesmo sem permitir o uso de seus dados pela OpenAI. "Naquele momento, todos os meus chats foram apagados permanentemente e as pastas do projeto foram esvaziadas. Dois anos de trabalho acadêmico cuidadosamente estruturado desapareceram. Nenhum aviso foi exibido. Não havia opção de desfazer. Apenas uma página em branco", disse. 

Bucher ainda tentou recuperar os arquivos trocando de navegador, limpando o cache e reinstalando o aplicativo, mas sem sucesso. Ao procurar o suporte da OpenAI, recebeu inicialmente respostas automáticas geradas por inteligência artificial. Depois de insistir, foi atendido por um funcionário humano, que confirmou que os dados haviam sido excluídos de forma definitiva e não poderiam ser restaurados. 

A OpenAI explicou que a exclusão faz parte de uma funcionalidade de privacidade. De acordo com a empresa, quando o usuário opta por não compartilhar seus dados, todo o histórico de conversas é apagado, sem backups ou redundâncias, justamente para cumprir normas legais e boas práticas de proteção de dados.

No entanto, alguns usuários questionaram o uso intensivo da ferramenta por um professor universitário. A física e divulgadora científica Angela Collier criticou duramente a dependência do chatbot no ambiente acadêmico. “Eu ficaria furiosa se o professor de uma disciplina essencial estivesse fazendo tudo com o chat. Que vergonha”, escreveu.

Apesar das reações negativas, outros internautas se perguntaram sobre quem é responsável pelos dados produzidos com auxílio de inteligência artificial e até que ponto essas plataformas são seguras para uso profissional. Recentemente, a OpenAI afirmou que a empresa avalia a possibilidade de reter parte dos lucros de descobertas feitas com o auxílio do ChatGPT, como uma tentativa de reduzir prejuízos financeiros que podem chegar a bilhões de dólares por trimestre.

Em comunicado, a empresa afirmou que os usuários façam backups próprios de trabalhos profissionais e reforçou, que uma vez excluídas, as conversas não podem ser recuperadas por nenhum meio, seja pela interface, APIs ou suporte técnico. 

Para o professor, universidades e pesquisadores são cada vez mais pressionados a incorporar a inteligência artificial em suas rotinas, mas as ferramentas ainda não atendem aos padrões de confiabilidade exigidos pela academia. “Se um único clique pode apagar irremediavelmente anos de trabalho, o ChatGPT não pode ser considerado completamente seguro para uso profissional”, disse. 

https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2026/01/7338831-a-ilusao-do-conselho-paralelo-de-trump.html 

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postado em 26/01/2026 16:54
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