SAÚDE

Pesquisa investiga alternativa para frear perda da memória no Alzheimer

Estudo aponta que bloqueio de uma proteína ligada à inflamação cerebral pode preservar a memória e abrir caminho para tratamentos mais eficazes contra a doença

Estudo aponta que bloqueio de uma proteína ligada à inflamação cerebral pode preservar a memória e abrir caminho para tratamentos mais eficazes contra a doença
 -  (crédito: Freepik )
Estudo aponta que bloqueio de uma proteína ligada à inflamação cerebral pode preservar a memória e abrir caminho para tratamentos mais eficazes contra a doença - (crédito: Freepik )

Por Thamires Pinheiro* — Pesquisadores da instituição de investigação científica Cold Spring Harbor Laboratory, nos Estados Unidos, identificaram uma nova estratégia para retardar a perda de memória em pacientes com Alzheimer. O estudo da instituição mostra que a inibição de uma proteína chamada PTP1B pode melhorar o aprendizado e preservar funções cognitivas, ao restaurar a atuação do sistema imunológico no cérebro. 

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O Alzheimer é marcado pelo acúmulo de placas de amiloide beta no cérebro, que prejudicam a comunicação entre os neurônios. Para combater esse processo, o organismo conta com as microglias, células de defesa responsáveis por eliminar resíduos e proteger o tecido cerebral.

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Desafios do Alzheimer

O problema é que, com o avanço da doença, essas células entram em um estado de exaustão e passam a falhar justamente quando são mais necessárias. O novo estudo revela que a proteína PTP1B tem um papel central nesse bloqueio da resposta imunológica. Ao inibir essa proteína, os pesquisadores observaram que as microglias voltam a atuar de forma mais eficiente, recuperando a capacidade de “engolir” e remover as placas prejudiciais. Nos testes com modelos animais, esse processo esteve associado à melhora da memória e da capacidade de aprendizado.

A PTP1B não é uma novidade para a ciência. A proteína foi identificada ainda em 1988 pelo próprio coordenador do estudo, o professor Nicholas Tonks, e já é investigada há décadas pela relação com doenças metabólicas, como obesidade e diabetes tipo 2.

Essa conexão fortalece o potencial terapêutico da descoberta, já que essas condições são reconhecidas como fatores de risco para o desenvolvimento do Alzheimer. Segundo os pesquisadores, o fato da proteína já ser um alvo conhecido da indústria farmacêutica pode acelerar o desenvolvimento de medicamentos voltados também à neurodegeneração.

Diferença em relação aos tratamentos atuais

Nos últimos anos, alguns medicamentos aprovados para o Alzheimer passaram a focar principalmente na remoção das placas de amiloide. Apesar de representarem um avanço, os benefícios clínicos observados ainda são considerados modestos.

A nova abordagem se diferencia por atuar em múltiplos níveis da doença. Em vez de apenas remover depósitos tóxicos, o bloqueio da PTP1B fortalece o funcionamento das células imunes do cérebro, ajudando o próprio organismo a reagir de forma mais eficaz ao processo degenerativo.

Para os autores, o caminho mais promissor está na combinação de terapias, unindo medicamentos já existentes a novos inibidores da proteína para retardar a progressão da doença.

Próximos passos

A equipe do Cold Spring Harbor Laboratory já trabalha em parceria com a empresa DepYmed Inc. no desenvolvimento de inibidores de PTP1B com potencial uso clínico. Embora os resultados ainda estejam em fase pré-clínica, os pesquisadores avaliam que a descoberta abre uma nova frente no combate ao Alzheimer.

Além do avanço científico, o estudo carrega um componente pessoal. Nicholas Tonks acompanhou de perto o Alzheimer em sua própria família e descreve a doença como um “luto lento”, em que as pessoas vão sendo perdidas aos poucos. Segundo ele, o objetivo da pesquisa é ganhar tempo. Não apenas prolongar a vida, mas preservar a memória, a autonomia e a identidade dos pacientes pelo maior período possível.

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postado em 05/02/2026 15:30
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