Astronomia

Além de 'Star Wars': jato de buraco negro supera Estrela da Morte

Evento 'AT2018hyz' libera energia em escala inédita após ruptura de uma estrela

Os mistérios do buraco negro: energia e potência  -  (crédito: Reprodução/Pexels)
Os mistérios do buraco negro: energia e potência - (crédito: Reprodução/Pexels)

Na ficção de Star Wars, destruir um planeta exige engenharia, tecnologia avançada e uma estação espacial do tamanho de uma lua. No universo real, bastou um encontro cósmico mal calculado entre uma estrela e um buraco negro para produzir um fenômeno de energia em escala incomparável.

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O evento ficou conhecido como AT2018hyz, que começou quando uma estrela se aproximou demais de um buraco negro supermassivo e foi dilacerada pelas forças gravitacionais em um processo chamado de "ruptura de maré". 

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As ocorrências desse tipo já são conhecidas pela ciência. O que tornou esse caso singular foi tudo o que aconteceu depois. Ao contrário do padrão observado em eventos semelhantes, a liberação de energia não ocorreu de forma imediata. Durante anos, o fenômeno permaneceu praticamente silencioso. Só quase três anos após a destruição da estrela os telescópios começaram a captar sinais de rádio. E desde então, a emissão não apenas surgiu, como passou a crescer de forma contínua e inesperada.

As medições indicam que a energia envolvida pode atingir valores próximos de 10?² ergs, uma quantidade que supera em trilhões de vezes a energia necessária para destruir um planeta como a Terra. Em termos científicos, trata-se de um dos níveis mais altos já associados a um único evento desse tipo.

Para explicar esse comportamento incomum, os pesquisadores trabalham com duas possibilidades. Uma delas sugere que o buraco negro lançou uma grande massa de matéria em expansão pelo espaço, em velocidades extremas. A outra hipótese aponta para a formação de um jato de energia altamente concentrado, que teria sido emitido logo após a destruição da estrela, mas em uma direção diferente da Terra.

Nesse segundo cenário, o fenômeno teria ocorrido no passado, mas só agora seus efeitos começaram a se tornar observáveis, à medida que o fluxo de energia se expande e desacelera, passando a entrar no campo de visão dos telescópios.

A astrofísica Yvette Cendes, vinculada ao Departamento de Física e ao Instituto de Ciência Fundamental da Universidade de Oregon, lidera este estudo internacional que conta com a colaboração de cientistas de instituições como o Center for Astrophysics, Harvard, a Universidade do Arizona, e outras. Cendes afirma que o comportamento do AT2018hyz desafia os modelos tradicionais da astronomia. Segundo ela, é incomum que um fenômeno desse tipo continue aumentando em intensidade ao longo de tantos anos, sem sinais claros de estabilização.

Atualmente, o evento é monitorado por uma rede global de observatórios, incluindo o Karl G. Jansky Very Large Array (VLA) nos EUA, o MeerKAT na África do Sul, o ALMA no Chile, e outros. O fenômeno também é observado em raios-X pelo Observatório Chandra, da NASA. Os dados indicam que o AT2018hyz ainda não atingiu seu ponto máximo de emissão de energia.

A expectativa é que mudanças mais claras comecem a ser observadas a partir de 2027, o que deve permitir compreender, com mais precisão, a natureza do fenômeno e o mecanismo responsável por sua evolução.

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postado em 06/02/2026 15:54
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