
A onda de calor que afetou o mundo por três anos consecutivos, entre 2014 e 2017, resultou no branqueamento de mais da metade dos recifes de coral do mundo, segundo um estudo publicado na revista Nature Communications. Pela primeira vez, uma equipe de 200 cientistas de 41 países, incluindo o Brasil, estimou a extensão desse tipo de fenômeno globalmente. Os pesquisadores analisaram 15.066 levantamentos de campo e concluíram que mais da metade dos ecossistemas passou pelo processo de degradação moderada ou severa no período, sendo que 15% registraram mortalidade significativa. Eles alertam que o planeta enfrenta, agora, outro processo de aquecimento sem precedentes, ainda em curso, o que poderá ter consequências mais drásticas futuramente.
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Frequentemente chamados de "florestas tropicais do mar", os recifes de coral ocupam menos de 1% do fundo oceânico, mas abrigam cerca de 25% da biodiversidade marinha conhecida. O aquecimento do planeta, porém, coloca em risco esses frágeis ecossistemas. O branqueamento ocorre quando a relação simbiótica entre os corais e microalgas fotossintéticas — responsáveis por fornecer energia e cor — se rompe sob estresse térmico.
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Segundo os autores do artigo, 80% dos recifes monitorados apresentaram branqueamento moderado ou maior (quando mais de 10% dos corais perdem suas algas simbióticas e ficam esbranquiçados), e 35% registraram mortalidade também moderada ou maior. Ao combinar dados de satélite sobre estresse térmico com observações in loco, os pesquisadores estimaram que 51% de todos os ecossistemas globais do tipo sofreram branqueamento relevante e 15% perderam pelo menos 10% dos corais durante o evento.
Consecutivos
Trata-se do terceiro grande evento global de branqueamento desde que esses episódios passaram a ser registrados em escala planetária — os anteriores ocorreram em 1998 e 2010. Mas, diferentemente dos demais, o fenômeno de 2014-2017 durou três anos consecutivos, algo inédito até então.
Guilherme Longo, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e um dos autores do artigo, afirma que, no Brasil, os impactos do terceiro evento global foram relativamente menores. Ele explica que, porém, o fenômeno deixou os recifes mais vulneráveis a episódios posteriores. No país, as intensas ondas de calor marinhas documentadas em 2019 e 2020 abriram caminho para perdas significativas em 2024.
"Os branqueamentos sucessivos de 2014-2017, seguidos do episódio de 2020, foram determinantes para a mortalidade ainda maior observada no quarto branqueamento, em 2024, com perdas de até 80%", disse Longo. "Os corais ficaram muito vulneráveis e não tiveram tempo de se recuperar. Para algumas espécies isso está significando extinção local." (Paloma Oliveto)
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