
Não existe amor eterno? Um estudo internacional mostra que a paixão não acontece apenas uma vez na vida e ainda aponta que os homens se apaixonam mais do que as mulheres.
A pesquisa Twice in a Lifetime: Quantifying Passionate Love in U.S. Single Adults analisou dados de 10.036 adultos solteiros, entre 18 e 99 anos, nos Estados Unidos. Para fundamentar o estudo, a coordenadora Amanda N. Gesselman, do Kinsey Institute, utilizou a pesquisa anual Singles in America, coletada entre 2022 e 2023, que revelou que o amor apaixonado é em média, experimentado duas vezes ao longo da vida (média de 2,05). Os dados demonstram que cerca de 30,3% dos participantes relataram ter se apaixonado duas vezes, enquanto 16,8% viveram três paixões. Além disso, aproximadamente uma em cada nove pessoas (10,9%) afirmou ter sentido esse tipo de amor quatro vezes ou mais.
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O estudo também desmonta a ideia de que o amor intenso e apaixonado é uma experiência universal. Aproximadamente um em cada sete dos adultos entrevistados declarou nunca ter vivido esse tipo de paixão, o que reforça que não existe um roteiro fixo nem um modelo obrigatório sobre amor e vida amorosa.
Os participantes responderam a uma pergunta direta sobre quantas vezes, ao longo da vida, estiveram apaixonadamente apaixonados. A escolha por ouvir apenas pessoas solteiras foi metodológica, já que pessoas em relacionamentos tendem a minimizar amores passados para valorizar vínculos atuais, o que poderia distorcer os resultados.
Homens lideram o ranking da paixão
Um dos dados mais chamativos da pesquisa contraria a ideia cultural de que os homens seriam menos emocionais. Ao longo da vida, eles relatam mais experiências de paixão do que as mulheres.
Na média, os homens afirmaram ter vivido pouco mais de duas grandes paixões, enquanto as mulheres relataram menos de duas. A diferença aparece com mais força entre pessoas heterossexuais. Homens heterossexuais se apaixonam mais vezes do que mulheres hetero. Entre gays, lésbicas e bissexuais, essa distância praticamente desaparece.
Pesquisas anteriores citadas pelos autores indicam que o padrão começa cedo. Homens tendem a se apaixonar mais cedo na adolescência, a declarar sentimentos primeiro em relações heterossexuais e a ocupar os extremos emocionais, tanto entre os que nunca se apaixonaram quanto entre os que se apaixonaram muitas vezes.
Segundo os pesquisadores, esse comportamento pode estar ligado a fatores biológicos e sociais. Estudos em neurociência apontam respostas mais intensas do sistema de recompensa do cérebro, enquanto padrões culturais e formas de socialização também influenciam como homens e mulheres vivenciam e expressam a paixão.
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Juventude concentra as grandes paixões
Os dados indicam ainda que as grandes paixões se concentram principalmente na juventude. Embora exista uma relação entre idade e número de experiências amorosas, ela é pequena, o que sugere que a maioria dessas vivências ocorre nas fases iniciais da vida adulta.
Essa dinâmica dialoga com teorias clássicas da psicologia, como a Teoria Triangular do Amor, que define a paixão como um estado intenso e instável, que tende a se transformar com o tempo em vínculos mais estáveis e duradouros, afirma os pesquisadores.
Ao mesmo tempo, o estudo normaliza trajetórias diferentes, tanto de quem se apaixona repetidamente quanto de quem nunca viveu esse tipo de experiência. E ainda inverte estereótipos ao mostrar que estatisticamente, são os homens que mais vivem grandes paixões ao longo da vida.
* Estagiária sob supervisão de Roberto Fonseca

Ciência e Saúde
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