
O desmaio da cantora Ivete Sangalo revelou o diagnóstico de síncope vasovagal, ou síndrome vasovagal, uma das causas mais comuns de perda súbita de consciência. Apesar de, na maioria das vezes, ser considerada benigna, a condição pode causar medo, constrangimento e insegurança em quem convive com episódios recorrentes.
Segundo o cardiologista Thiago Marinho, da Clínica Médica e Cardiologia do Hospital Mater Dei Goiânia, a síncope é mais frequente em adolescentes e adultos jovens, com predominância entre mulheres. “A presença de episódios semelhantes em um dos pais também é um fator de risco”, explica.
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O clínico geral e diretor médico do Hospital Santa Lúcia Gama, Lucas Albanaz, também enfatiza que o problema ocorre quando o próprio organismo reage de forma exagerada a determinados estímulos, provocando queda transitória da pressão arterial e da frequência cardíaca.
Como reconhecer um desmaio vasovagal
Um dos principais pontos que ajudam a diferenciar a síncope de causas cardíacas ou neurológicas está nos sinais que antecedem o desmaio. De acordo com Thiago Marinho, esses episódios geralmente são precedidos por sintomas como tontura e escurecimento visual. “Muitas vezes, a pessoa consegue pedir ajuda ou se apoiar antes de cair”, afirma. Por isso, quedas com traumas graves ou fraturas tendem a ser menos comuns nesses casos.
Outro aspecto importante são os gatilhos. Entre os gatilhos mais frequentes estão dor intensa, estresse emocional, visão de sangue, calor excessivo, ambientes abafados, longos períodos em pé e desidratação. Esse conjunto de características ajuda os profissionais de saúde a direcionar a investigação.
O doutor Albanaz comenta que reconhecer os sinais é fundamental. “Eles permitem que a pessoa se sente ou se deite, reduzindo o risco de quedas e traumas.”
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Famosos ajudam a ampliar o debate
Para Marinho, casos envolvendo figuras públicas contribuem para aumentar a conscientização. “Podem servir como alerta e ajudar a educar a população a reconhecer sintomas e procurar ajuda no momento adequado”, diz.
Ainda há desconhecimento sobre a síncope, e muitas pessoas não sabem identificar os sinais ou diferenciar um desmaio benigno de situações potencialmente mais graves.
Sempre é preciso investigar
Apesar de a síncope vasovagal ter, em geral, boa evolução, a orientação médica é clara: todo episódio de desmaio deve ser avaliado.
“Uma conversa de alguns minutos, um exame físico bem realizado e exames complementares permitem afastar problemas mais sérios, como causas cardíacas ou neurológicas”, destaca o cardiologista Thiago Marinho. A avaliação é fundamental para garantir segurança ao paciente.
Impacto emocional
Além dos sintomas físicos, a síncope pode trazer consequências psicológicas. O medo de desmaiar em público gera ansiedade e, em alguns casos, vergonha.
“Muitas pessoas sofrem com essa condição porque temem passar por um episódio diante de outras pessoas”, relata o doutor Thiago. Ele lembra que, por muito tempo, o desmaio foi associado exclusivamente a fatores emocionais ou à ansiedade, o que contribuiu para estigmatizar pacientes.
Diagnóstico
Os dois médicos explicam que existem exames mais específicos que auxiliam no diagnóstico definitivo da condição. Um dos mais utilizados é o teste de inclinação, conhecido como tilt test, que avalia a resposta do organismo a mudanças de posição.
"O tilt test simula a mudança da posição deitado para em pé, enquanto pressão e batimentos são monitorados", explica Lucas Albanaz.
Para pacientes com episódios recorrentes, há também opções de tratamento com medicações que ajudam a prevenir novos eventos.
Embora, na maioria das vezes, a síncope vasovagal não represente risco grave à saúde, o desmaio nunca deve ser ignorado. Informação, avaliação médica e acompanhamento adequado são essenciais para garantir tranquilidade e qualidade de vida a quem convive com a condição.
Tratamento
O acompanhamento varia conforme a frequência e intensidade dos episódios. Na maior parte dos casos, o tratamento envolve medidas preventivas.
Entre as orientações do doutor Lucas estão o aumento da ingestão de líquidos, ajuste do consumo de sal quando indicado, evitar jejum prolongado, não permanecer muito tempo em pé parado e evitar ambientes muito quentes. Técnicas de contração muscular ao perceber os primeiros sintomas também podem ajudar a impedir a progressão do desmaio.
O seguimento costuma ser feito por clínico geral ou cardiologista. Sinais como desmaio durante esforço físico, dor no peito, palpitações intensas antes da perda de consciência ou histórico familiar de morte súbita exigem investigação mais aprofundada e urgente.
*Estagiária sob supervisão de Mariana Niederauer

Ciência e Saúde
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