
Durante muito tempo, o universo dos procedimentos estéticos foi associado quase exclusivamente às mulheres. Esse cenário, no entanto, vem mudando de forma gradual. Em clínicas e consultórios de diferentes países, cresce o número de homens interessados em intervenções para melhorar a aparência do corpo e, em muitos casos, fortalecer a própria confiança na vida sexual.
Embora as mulheres ainda representem a maior parte da demanda, os homens já respondem por cerca de 15% desse total e vêm ampliando presença em áreas que antes pareciam improváveis, incluindo intervenções voltadas à região íntima.
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Reportagem publicada pelo New York Post relatou o caso de um homem que decidiu recorrer a um procedimento estético após perceber mudanças no corpo durante a terapia de reposição de testosterona. O tratamento hormonal, utilizado por pacientes com níveis baixos do hormônio, pode provocar redução do volume testicular, um efeito colateral conhecido na literatura médica.
Incomodado com a alteração estética, o paciente optou por realizar um procedimento não cirúrgico que utiliza ácido hialurônico para aumentar o volume da bolsa escrotal. A técnica, conhecida em algumas clínicas como preenchimento escrotal, tem como objetivo devolver volume à região e melhorar a percepção corporal do paciente.
Segundo relato do paciente, a decisão não esteve ligada apenas à aparência e afirmou que a mudança também tinha relação com a forma como enxergava o próprio corpo na intimidade e com a confiança durante relações sexuais. Outros homens que passaram por intervenções semelhantes relatam motivações parecidas, mencionando autoestima, percepção de masculinidade e conforto com o próprio corpo.
Para o médico especialista em saúde sexual masculina Cristiano Estivalet, esse tipo de preocupação não é incomum. De acordo com ele, questões relacionadas à aparência genital costumam exercer forte impacto psicológico nos homens, ainda que muitas vezes permaneçam restritas ao ambiente privado.
O médico explica que esse tipo de percepção pode afetar diretamente a autoestima e a forma como o homem se comporta em relações afetivas e sexuais. Comentários, comparações ou experiências negativas podem intensificar sentimentos de inferioridade e frustração, levando alguns pacientes a buscar soluções médicas ou estéticas para recuperar a confiança.
No caso de homens que utilizam terapia de reposição de testosterona, o acompanhamento médico adequado costuma reduzir o risco de efeitos colaterais mais graves. Estivalet explica que o procedimento, quando feito com doses fisiológicas e monitoramento regular, tende a ser seguro. Problemas costumam surgir principalmente em situações de uso inadequado ou em doses muito acima das recomendadas, frequentemente associadas ao uso estético de hormônios.
Mesmo assim, mudanças corporais percebidas ao longo do tratamento podem gerar desconforto em alguns pacientes. Nesses casos, explica o médico, a orientação envolve avaliar não apenas a saúde física, mas também os impactos psicológicos e a relação do homem com o próprio corpo.
A procura por procedimentos voltados à estética íntima ainda representa uma parcela pequena do mercado, mas reflete uma transformação mais ampla na forma como os homens lidam com autoestima e sexualidade. Para muitos pacientes, a decisão de realizar uma intervenção não está apenas ligada à aparência, mas ao desejo de alinhar o corpo à forma como querem se sentir na própria vida sexual.
*Estagiária sob supervisão de Paulo Leite

Ciência e Saúde
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