
Um estudo publicado pela revista Frontiers in Space Technologies nessa segunda (30/03) vai utilizar um "cão robô" semiautônomo para ampliar o alcance da exploração espacial. A pesquisa liderada pela equipe de Gabriela Ligeza promete acelerar análise de rochas em ambientes simulados. O nome do protagonista desse estudo é o ANYmal, o robô de quatro pernas que lembra um cachorro mecânico.
Atualmente enviar e receber um comando para um robô em Marte pode demorar cerca de 40 minutos. Pensando em tornar a comunicação mais ágil, pesquisadores desenvolveram a tecnologia.
Diferente dos modelos que usam rodas e podem atolar em terrenos fofos, o ANYmal consegue caminhar sobre pedras soltas e subir as paredes íngremes de crateras, justamente onde os cientistas acreditam que existam mais chances de encontrar sinais de água ou vida antiga.
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O robô carrega um braço mecânico equipado com duas ferramentas principais: o MICRO, que é um microscópio que vê detalhes invisíveis ao olho humano, como a textura de cristais em uma pedra, e o Raman, um sensor que dispara um laser para identificar os minerais de uma rocha sem precisar quebrá-la.
Os pesquisadores simularam ambientes da Lua e de Marte em um laboratório especializado na Suíça. Eles compararam dois métodos. O primeiro foi o método tradicional, uma pessoa guiava o robô em cada centímetro, analisando uma pedra por vez. Esse método gerou 2,6 vezes mais dados valiosos porque os humanos conseguem fazer ajustes finos na hora, enquanto o robô autônomo, às vezes, posiciona o braço de forma ligeiramente imprecisa.
E o método semi-autônomo, o cientista aponta três ou quatro pedras de interesse em uma foto panorâmica, e o robô vai até elas, se posiciona e faz os exames sozinho.O resultado dessa simulação mostrou que o robô trabalhando de forma independente conseguiu coletar dados 22% mais rápido.
Pesando cerca de 60 kg, consegue caminhar por 90 minutos seguidos antes de precisar recarregar. Nos testes de Marte, ele foi capaz de completar sua missão em apenas 12 a 15 minutos em alguns ciclos, mostrando uma agilidade impressionante para coletar dados científicos.
O robô identificou com sucesso minerais como gesso e enxofre, comuns em Marte, e olivina, comum na Lua. No entanto, o robô demonstrou problema do tremor mecânico. Em alguns momentos, o braço robótico sofreu vibrações de alta frequência, o que resultou em fotos microscópicas borradas. Para o futuro, os cientistas sugerem que o robô tenha uma inteligência capaz de "perceber" se a foto ficou ruim e tirá-la novamente na hora, sem esperar o comando da Terra.
Embora o controle humano ainda seja um pouco mais preciso para detalhes minuciosos, a velocidade é crucial. No espaço, bateria é vida. Se um robô puder fazer em 15 minutos o que antes levava uma hora, ele poderá cobrir áreas muito maiores e fazer muito mais descobertas antes que sua energia acabe. Essa tecnologia é o primeiro passo para que, no futuro, possamos explorar não só a Lua e Marte, mas também lugares muito mais distantes, onde o controle remoto da Terra seria impossível.
*Estagiária sob supervisão de Luiz Felipe
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