Desenvolvimento infantil

Natação desenvolve habilidade cognitiva em crianças pré-escolares

Estudo da Universidade dos Esportes de Pequim, na China, com crianças de 3 e 4 anos mostra que, além das habilidades físicas, a atividade está associada a um desempenho cognitivo mais afiado, especialmente quando os pais acompanham os filhos

Além de um esporte recreativo, a natação está associada a melhorias significativas na capacidade física e no desempenho cognitivo de crianças em idade pré-escolar, especialmente quando acompanhadas pelos pais. É o que diz um estudo publicado na revista Frontiers in Public Health por pesquisadores da Universidade dos Esportes de Pequim, na China.

O trabalho acompanhou 36 meninos com idades entre 3 e 4 anos, divididos em três grupos: um que praticava exercícios físicos tradicionais, outro que fazia natação de forma independente e um terceiro que nadava com a participação direta dos pais. Durante oito semanas, todos os participantes realizaram atividades físicas duas vezes por semana, em sessões de cerca de 50 minutos.

Além de um esporte recreativo, a natação está associada a melhorias significativas na capacidade física e no desempenho cognitivo de crianças em idade pré-escolar, especialmente quando acompanhadas pelos pais. É o que diz um estudo publicado na revista Frontiers in Public Health por pesquisadores da Universidade de Esportes de Pequim, na China. 

Pais

O trabalho acompanhou 36 meninos com idades entre 3 e 4 anos, divididos em três grupos: um que praticava exercícios físicos tradicionais, outro que fazia natação de forma independente e um terceiro que nadava com a participação direta dos pais. Durante oito semanas, todos os participantes realizaram atividades físicas duas vezes por semana, em sessões de cerca de 50 minutos.

Os resultados chamaram a atenção dos pesquisadores. Embora todas as crianças tenham apresentado melhora na aptidão física — incluindo força, coordenação e flexibilidade — aquelas envolvidas em atividades aquáticas demonstraram ganhos adicionais, sobretudo no equilíbrio. Um dos testes utilizados, a caminhada sobre uma trave de equilíbrio, mostrou que os grupos que nadavam completavam a tarefa mais rapidamente do que os que faziam apenas exercícios em solo. 

Mas o dado mais surpreendente, segundo os autores, surgiu na avaliação cognitiva. Os pesquisadores utilizaram uma escala padronizada de inteligência infantil, medindo aspectos como memória, linguagem, raciocínio e percepção. Já na metade do experimento, após quatro semanas, crianças que nadavam com os pais apresentaram escores de QI superiores aos do grupo de exercícios tradicionais. 

Ao fim das oito semanas, tanto o grupo de natação independente quanto o acompanhado superaram o grupo controle — com vantagem ainda maior para aqueles que tinham a presença dos pais durante a atividade. Segundo os autores, os resultados reforçam um conceito já conhecido na ciência: o desenvolvimento físico e cognitivo na infância estão profundamente interligados. “A prática de exercícios, especialmente atividades aeróbicas como a natação, estimula não apenas músculos e ossos, mas também o cérebro”, escreveram. 

De acordo com o estudo, o ambiente aquático oferece estímulos multissensoriais únicos. A resistência da água, cerca de 800 vezes maior que a do ar, exige maior esforço muscular sem sobrecarregar as articulações, favorecendo o desenvolvimento motor. 

Conexões

Ao mesmo tempo, movimentos como flutuação, respiração controlada e coordenação dos membros ativam diferentes áreas cerebrais, contribuindo para a formação de conexões neurais. “A água exige coordenação bilateral, equilíbrio, controle respiratório e percepção espacial ao mesmo tempo. Esse conjunto ativa diferentes áreas do cérebro simultaneamente, favorecendo o desenvolvimento cognitivo”, explica o profissional de educação física Breno Daniel, da Academia Corpo e Saúde, em Brasília.

No estudo chinês, crianças que participaram da natação acompanhadas demonstraram ganhos cognitivos mais rápidos, já perceptíveis após quatro semanas. Segundo os autores, a presença dos pais pode aumentar a segurança emocional da criança, estimular a motivação e favorecer o aprendizado dos movimentos.

Além disso, a interação direta — como orientações, incentivo e contato físico — pode potencializar o desenvolvimento do sistema nervoso e das habilidades sociais. A literatura científica já aponta que o tempo de qualidade entre pais e filhos está associado a melhores indicadores de bem-estar e desenvolvimento infantil.

 

 

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