ASTRONOMIA

Nasa anuncia novo telescópio de R$ 20 bilhões

O Roman, especializado em procurar exoplanetas, homenageia astrônoma célebre, considerada "mãe do Hubble"

Telescópio Roman durante montagem: 12 metros de altura -  (crédito: NASA/Jolearra Tshiteya)
Telescópio Roman durante montagem: 12 metros de altura - (crédito: NASA/Jolearra Tshiteya)

A Nasa revelou ontem seu novo telescópio espacial, chamado Roman. O aparelho foi projetado para explorar vastas regiões do universo em busca de exoplanetas. Além disso, deve ajudar cientistas ao explorar respostas para os grandes mistérios físicos que envolvem a matéria e a energia escuras. Segundo o diretor da instituição, Jared Isaacman, o equipamento de última geração "proporcionará à Terra um novo atlas do universo". O anúncio foi feito no centro Goddard da agência espacial americana, em Maryland, na costa leste do país, onde sua montagem foi concluída.

O instrumento prateado, com cerca de 12 metros de altura e um espelho primário com 2,4 metros de diâmetro, será transportado para a Flórida para seu lançamento ao espaço, que deve acontecer entre o início de setembro deste ano e maio de 2027, a bordo de um foguete da SpaceX. Desenvolvido ao longo de mais de uma década, e com um custo superior a US$ 4 bilhões (cerca de R$ 20 bilhões), o telescópio recebeu o nome em homenagem a uma das maiores astrônomas dos Estados Unidos, Nancy Grace Roman, apelidada de "mãe do Hubble", em referência a outro telescópio icônico da Nasa.

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Mais de 35 anos após o começo da operação do Hubble, que foi responsável por revelar, entre outras coisas, que nosso universo está se expandindo mais rapidamente do que os cientistas imaginavam, o telescópio espacial Roman assumirá a tarefa de responder às questões que ainda permanecem sem solução. Com seu amplo campo de visão, mais de 100 vezes maior do que o do seu irmão mais velho, ele varrerá vastas regiões do céu a partir de um ponto de observação privilegiado, a 1,5 milhão de quilômetros da Terra. A expectativa é de que ele descubra pelo menos mil exoplanetas. 

"Ele nos enviará 11 terabytes de dados por dia, o que significa que, apenas em seu primeiro ano, terá nos fornecido mais dados do que o telescópio Hubble coletou ao longo de toda a sua vida útil", explicou à AFP Mark Melton, engenheiro de sistemas do Roman. Graças a essa lente grande angular, a Nasa espera "descobrir dezenas de milhares de novos planetas" ou até mesmo "milhares de supernovas", detalha Nicky Fox, chefe de atividades científicas da agência.

Ademais, o Roman também tem como objetivo estudar o invisível: a matéria e a energia escuras, cujas origens permanecem desconhecidas. Cientistas acreditam que as duas, juntas, constituem cerca de 95% do universo. "Se o Roman algum dia ganhar o Prêmio Nobel, provavelmente será por algo em que ainda nem sequer pensamos", frisou Mark Melton. O telescópio terá uma missão primária com duração de cinco anos, com uma possibilidade de extensão por mais cinco.

Pioneira genial

Nancy Grace Roman (1925-2018) foi uma pioneira da astronomia espacial, conhecida como a "mãe do Telescópio Espacial Hubble". Desde jovem interessada por astronomia, construiu uma sólida carreira acadêmica, mas enfrentou barreiras de gênero que a levaram a migrar para a pesquisa aplicada. Em 1959, tornou-se a primeira executiva da Nasa e chefe de astronomia, liderando programas científicos e sendo fundamental para a aprovação do Hubble, que possibilitou descobertas como a expansão acelerada do universo.

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postado em 23/04/2026 05:05
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