SOCIEDADE

Primeira bebê de barriga de aluguel completa 40 anos: 'Sorte e muito amor'

Nascida em 1986 nos Estados Unidos, o nascimento da mulher se tornou um marco na história da medicina reprodutiva; hoje, mãe de três filhos, ela leva uma vida discreta

Jill Brand entrou para a história ainda ao nascer. Em 13 de abril de 1986, nos Estados Unidos, ela se tornou o primeiro bebê gerado por barriga de aluguel, um marco para a medicina reprodutiva e para novas formas de constituição familiar. Quatro décadas depois, Jill celebrou 40 anos mantendo uma vida longe dos holofotes.

"Foi a primeira vez na história da humanidade em que uma mulher deu à luz um bebê com o qual não tinha nenhuma relação genética", afirmou, em entrevista à NBC News, ao lado da mãe, Sandy. Em publicação nas redes sociais, ela definiu a trajetória como "uma história de criatividade, perseverança, coragem, sorte e muito amor".

Apesar da relevância histórica, Jill optou por uma rotina discreta. Mãe de três filhos, evitou a exposição pública ao longo da vida. A decisão de compartilhar sua história veio apenas recentemente, após a morte do pai, Elliot Rudnitzky, no ano passado.

A trajetória da família foi marcada por perdas e desafios. Sandy não podia engravidar após a retirada das trompas de Falópio. O casal chegou a adotar duas meninas e, posteriormente, tentou a fertilização in vitro (FIV), tecnologia ainda em desenvolvimento à época. A gestação, no entanto, terminou de forma trágica.

“O meu útero se rompeu, precisei de uma cesariana de emergência e de uma histerectomia. Nossa bebê viveu por 13 dias e morreu. Ficamos devastados”, relembrou Sandy, mãe de Jill.

Três anos depois, Elliot sugeriu uma alternativa ainda considerada controversa naquele momento: a gestação por substituição. “Achei uma loucura. Que médico estaria disposto a fazer isso?”, contou Sandy. A ideia, no entanto, ganhou força após a insistência do marido.

Após recusas sucessivas, muitas delas motivadas por dúvidas éticas e científicas, o médico Wulf Utian aceitou conduzir o procedimento. A decisão abriu caminho para um dos avanços mais significativos da medicina reprodutiva no século 20.

O nascimento de Jill, em Chicago, marcou uma virada. “Foi um dos dias mais incríveis da minha vida”, afirmou Sandy.

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