NUTRIÇÃO

Comer legumes melhora a saúde de quem tem doença pulmonar

Quem aumentou o consumo de alimentos ricos em isoflavonas apresentou redução da tosse e menor dificuldade para eliminar o muco, além de melhora geral na saúde pulmonar

Consumir leguminosas e alimentos à base de soja pode ajudar a melhorar os sintomas da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) ao reduzir a inflamação e a irritação. A descoberta é de um novo estudo publicado ontem no Chronic Obstructive Pulmonary Diseases: Journal of the COPD Foundation. A DPOC inclui condições como enfisema e bronquite crônica. Ela é uma doença pulmonar inflamatória progressiva e atualmente é a quarta principal causa de morte no mundo. 

Segundo os cientistas, pesquisas anteriores identificaram a dieta e a nutrição como fatores de risco modificáveis para doenças pulmonares crônicas. O novo estudo examinou a forma como o aumento do consumo de isoflavonas — compostos naturais com estrutura similar ao estrogênio humano e que agem como repositores hormonais naturais — impactou os sintomas respiratórios, a tosse e a saúde pulmonar geral dos participantes. 

Todos os participantes eram ex-fumantes e responderam a questionários sobre dieta e sintomas, além de realizarem testes de função pulmonar e avaliações clínicas, no início do estudo, aos três meses e aos seis meses. O consumo de isoflavonas foi relatado como a ingestão média em cada uma das três visitas ou em todas as visitas em que os dados de consumo estavam disponíveis.

Os resultados do estudo mostraram que pessoas com maior consumo de isoflavonas apresentaram menos sintomas relacionados à respiração, incluindo redução da tosse e menor dificuldade para eliminar o muco, além de melhora na saúde pulmonar.  

Frutas e peixes

Conforme Renato Lobo médico pós-graduado em nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), os alimentos ricos em isoflavonas, como as leguminosas e comidas à base de soja, promovem um efeito anti-inflamatório no organismo. “Para quem tem DPOC, essa substância ajuda na redução da irritação brônquica e na inflamação pulmonar. Do ponto de vista nutricional, as isoflavonas atuam como moduladores da resposta inflamatória, contribuindo para um ambiente pulmonar menos reativo.”

Segundo o especialista, outros alimentos também podem influenciar na condição. Sim, podem. “Comidas ricas em antioxidantes, como frutas, verduras, principalmente aquelas com muita vitaminas C e E ajudam a combater o estresse oxidativo, que é elevado nesses pacientes. Peixes como salmão, sardinha, linhaça, que são ricos em ômega-3 têm ação anti-inflamatória sistêmica. Já as fibras alimentares melhoram a microbiota intestinal, que hoje sabemos estar relacionada à regulação da inflamação sistêmica Alimentos ultraprocessados devem ser evitados, pois estão associados ao aumento de inflamação e piora da função pulmonar.”

“Pesquisas comprovam que a dieta e a nutrição podem impactar a saúde pulmonar. Precisamos entender melhor quais componentes nutricionais específicos são responsáveis por reduzir os sintomas de doenças inflamatórias como a DPOC”, disse Daniel C. Belz, MD, MPH, da Divisão de Medicina Pulmonar e de Cuidados Intensivos da Universidade Johns Hopkins em Baltimore e principal autor do estudo. “Além disso, estudos maiores são necessários para explorar como o aumento do consumo de isoflavonas ajuda a melhorar os sintomas da DPOC e a saúde do pulmão em geral.”

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