Além de estimular o turismo de natureza e movimentar economias locais, a prática de observação de aves, também conhecida como birdwatching, pode ajudar a monitorar alterações ambientais, devido à habilidade desses animais de serem bioindicadores, ou seja, organismos que ajudam a medir a saúde dos ecossistemas. Por responderem rapidamente às alterações ambientais, elas funcionam como um “termômetro” das mudanças climáticas.
De acordo com o biólogo Pedro Develey, consultor da SAVE Brasil e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, observar aves é uma ferramenta de compreensão ambiental. “Olhar para as aves permite compreender como está o ambiente. Com o agravamento dos eventos climáticos, algumas espécies podem desaparecer”, afirma.
Develey destaca que mudanças já são perceptíveis, especialmente no comportamento de aves migratórias, que vêm alterando rotas e períodos de deslocamento devido às variações de temperatura e estações. Outro sinal preocupante, segundo o especialista, é a redução no sucesso reprodutivo de algumas espécies, inclusive em áreas preservadas da Amazônia, o que pode levar à diminuição das populações.
O Brasil abriga uma das maiores diversidades de aves do planeta. São 1.971 espécies registradas, de acordo com o Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos. Ainda assim, o país ocupa posição preocupante: é o primeiro das Américas e o segundo do mundo em número de espécies ameaçadas.
A observação de aves também é uma forma acessível de participação na ciência. Qualquer pessoa pode começar — seja da janela de casa, em praças ou parques urbanos — e contribuir com registros valiosos. Segundo o censo brasileiro de observação de aves, divulgado em 2024, o número de praticantes no país varia entre 50 mil e 300 mil — um crescimento expressivo na última década.
Celular com zoom
Para iniciantes, o investimento inicial pode ser simples: um celular com zoom ou uma câmera fotográfica e, se possível, um binóculo. “Quando você aprende a usar esses equipamentos e passa a ver os detalhes da plumagem e do comportamento das aves, a experiência se torna transformadora”, explica Develey.
Ferramentas digitais ampliam ainda mais essa participação. Plataformas como eBird e WikiAves permitem registrar observações, compartilhar fotos e sons e colaborar com bancos de dados utilizados por pesquisadores.
Essa produção coletiva de informações — conhecida como ciência cidadã — tem papel crescente na conservação. Listas de avistamentos e registros ajudam a mapear espécies, monitorar populações e identificar áreas prioritárias para proteção.
Hoje (28), é celebrado o Dia Nacional do Observador de Aves, em homenagem aos que se dedicam a essa prática. A escolha da data remete a um episódio histórico: o primeiro registro de observação de aves em território brasileiro, feito por Pero Vaz de Caminha poucos dias após a chegada da frota de Cabral. Mais de cinco séculos depois, a atividade se transformou em um fenômeno contemporâneo que mobiliza milhares de pessoas.
Para quem já é praticante ou tem interesse de entrar para esse mundo de descobertas, de 13 a 17 de maio acontece o Avistar 2026 - Encontro Brasileiro de Observação de Aves, em São Paulo. O evento é gratuito, mas é preciso comprar ingresso para o Jardim Botânico.
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