ESTUDOS

Pesquisa explica como música influencia concentração durante estudos

Estudo australiano mostra que ouvir música enquanto estuda pode ajudar na concentração para alguns estudantes, mas atrapalhar outros dependendo da relação de cada um com a música

Bibliotecas silenciosas, playlists de lo-fi, sons de chuva e fones no máximo. Na rotina universitária, estudar ouvindo música virou quase um ritual para muita gente -  (crédito: Pixabay )
Bibliotecas silenciosas, playlists de lo-fi, sons de chuva e fones no máximo. Na rotina universitária, estudar ouvindo música virou quase um ritual para muita gente - (crédito: Pixabay )

Uma nova pesquisa da Edith Cowan University (ECU), na Austrália, entrevistou mais de 220 universitários e revelou que 54% costumam escutar música de fundo durante os estudos, enquanto 46% preferem o silêncio absoluto. O estudo buscou entender se essa prática realmente favorece a concentração ou se acaba funcionando como um obstáculo disfarçado.

O dado mais curioso é que quase todos os estudantes que usam música durante os estudos acreditam que ela ajuda de alguma forma. Muitos disseram que o hábito melhora o foco, aumenta a motivação e até reduz a sensação de cansaço mental. Para quem estuda em ambientes barulhentos, a música também funciona como uma espécie de barreira contra distrações externas.  

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A pesquisa identificou ainda um padrão entre os estudantes. Músicas lentas e sem letra aparecem entre as favoritas para momentos de leitura e concentração. O gênero mais citado foi música clássica, seguido por rock e pop. Já em tarefas consideradas mais simples, muitos participantes disseram preferir músicas agitadas e com vocal.  

Apesar disso, o estudo não conclui que ouvir música melhora o desempenho acadêmico de forma automática. Pelo contrário. Os pesquisadores afirmam que o efeito varia bastante de pessoa para pessoa.

Segundo a pesquisadora Lindsey Cooke, responsável pelo estudo, existe uma ideia antiga de que a música sempre prejudica o cérebro durante tarefas cognitivas, mas os resultados mostram uma realidade mais complexa. Para alguns estudantes, ela realmente ajuda a entrar em estado de concentração. Para outros, se torna mais uma distração.  

A pesquisa também derruba outra crença comum. A capacidade de memória ou a tendência de “viajar nos pensamentos” não tiveram relação direta com o hábito de estudar ouvindo música. O fator mais importante foi o nível de conexão emocional da pessoa com a música. Quanto maior o envolvimento musical do estudante no dia a dia, maior a chance de ele considerar a música útil durante os estudos.  

Mesmo sem uma resposta definitiva, especialistas já observavam alguns padrões em pesquisas anteriores. Letras costumam competir com a leitura e dificultar a compreensão do conteúdo. Sons instrumentais tendem a causar menos interferência porque exigem menos atenção do cérebro.  

Na prática, isso ajuda a explicar por que playlists de lo-fi, piano, jazz leve e trilhas instrumentais cresceram tanto nos últimos anos. Plataformas de streaming e canais de estudo transformaram a concentração em um gênero musical próprio. O famoso canal “Lofi Girl”, por exemplo, acumula milhões de visualizações de estudantes que usam o som ambiente como companhia para horas de leitura e revisão.  

Fora dos laboratórios, a discussão também aparece entre estudantes nas redes sociais. Em fóruns online, muitos dizem que músicas instrumentais ajudam a manter o ritmo dos estudos, principalmente em locais movimentados. Outros afirmam que qualquer som atrapalha e que o silêncio continua sendo a melhor escolha.  

A principal conclusão da pesquisa é justamente abandonar a ideia de fórmula universal. Estudar ouvindo música não é garantia de produtividade, mas também não pode ser tratado como inimigo da concentração. O efeito parece depender do ambiente, do tipo de tarefa e, principalmente, da relação que cada pessoa constrói com o som ao redor.

*Estagiária sob supervisão de Luiz Felipe

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postado em 25/05/2026 13:26
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