
Uma nova pesquisa da Edith Cowan University (ECU), na Austrália, entrevistou mais de 220 universitários e revelou que 54% costumam escutar música de fundo durante os estudos, enquanto 46% preferem o silêncio absoluto. O estudo buscou entender se essa prática realmente favorece a concentração ou se acaba funcionando como um obstáculo disfarçado.
O dado mais curioso é que quase todos os estudantes que usam música durante os estudos acreditam que ela ajuda de alguma forma. Muitos disseram que o hábito melhora o foco, aumenta a motivação e até reduz a sensação de cansaço mental. Para quem estuda em ambientes barulhentos, a música também funciona como uma espécie de barreira contra distrações externas.
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A pesquisa identificou ainda um padrão entre os estudantes. Músicas lentas e sem letra aparecem entre as favoritas para momentos de leitura e concentração. O gênero mais citado foi música clássica, seguido por rock e pop. Já em tarefas consideradas mais simples, muitos participantes disseram preferir músicas agitadas e com vocal.
Apesar disso, o estudo não conclui que ouvir música melhora o desempenho acadêmico de forma automática. Pelo contrário. Os pesquisadores afirmam que o efeito varia bastante de pessoa para pessoa.
Segundo a pesquisadora Lindsey Cooke, responsável pelo estudo, existe uma ideia antiga de que a música sempre prejudica o cérebro durante tarefas cognitivas, mas os resultados mostram uma realidade mais complexa. Para alguns estudantes, ela realmente ajuda a entrar em estado de concentração. Para outros, se torna mais uma distração.
A pesquisa também derruba outra crença comum. A capacidade de memória ou a tendência de “viajar nos pensamentos” não tiveram relação direta com o hábito de estudar ouvindo música. O fator mais importante foi o nível de conexão emocional da pessoa com a música. Quanto maior o envolvimento musical do estudante no dia a dia, maior a chance de ele considerar a música útil durante os estudos.
Mesmo sem uma resposta definitiva, especialistas já observavam alguns padrões em pesquisas anteriores. Letras costumam competir com a leitura e dificultar a compreensão do conteúdo. Sons instrumentais tendem a causar menos interferência porque exigem menos atenção do cérebro.
Na prática, isso ajuda a explicar por que playlists de lo-fi, piano, jazz leve e trilhas instrumentais cresceram tanto nos últimos anos. Plataformas de streaming e canais de estudo transformaram a concentração em um gênero musical próprio. O famoso canal “Lofi Girl”, por exemplo, acumula milhões de visualizações de estudantes que usam o som ambiente como companhia para horas de leitura e revisão.
Fora dos laboratórios, a discussão também aparece entre estudantes nas redes sociais. Em fóruns online, muitos dizem que músicas instrumentais ajudam a manter o ritmo dos estudos, principalmente em locais movimentados. Outros afirmam que qualquer som atrapalha e que o silêncio continua sendo a melhor escolha.
A principal conclusão da pesquisa é justamente abandonar a ideia de fórmula universal. Estudar ouvindo música não é garantia de produtividade, mas também não pode ser tratado como inimigo da concentração. O efeito parece depender do ambiente, do tipo de tarefa e, principalmente, da relação que cada pessoa constrói com o som ao redor.
*Estagiária sob supervisão de Luiz Felipe

Ciência e Saúde
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