
Uma descoberta feita por pesquisadores brasileiros pode representar um novo passo na luta contra a malária. Cientistas da Universidade de São Paulo e da Universidade Federal de São Carlos desenvolveram uma nova classe de moléculas que conseguiu agir até contra cepas resistentes do Plasmodium falciparum, parasita responsável pelos casos mais graves da doença.
O estudo foi publicado na revista científica ACS Omega e chamou atenção por apresentar resultados favoráveis justamente em um dos maiores desafios da medicina tropical. Nas últimas décadas, o parasita da malária passou a desenvolver resistência aos medicamentos usados tradicionalmente no tratamento, o que preocupa autoridades de saúde em vários países.
A pesquisa foi liderada pela professora Arlene Gonçalves Corrêa, da UFSCar, e pelo pesquisador Rafael Victorio Carvalho Guido, da USP. O trabalho reuniu cientistas ligados ao Centro de Excelência para Pesquisa em Química Sustentável e ao Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos, ambos financiados pela FAPESP.
As moléculas chamadas peptidiomiméticos conseguem atacar o parasita da malária sem prejudicar as células humanas. Nos testes de laboratório, elas funcionaram até contra formas da doença que já não respondem a remédios comuns, como a cloroquina.
Essas moléculas também podem ser usadas junto com a artemisinina, o principal tratamento atual. Enquanto a artemisinina age rápido, os novos compostos têm efeito mais lento e duradouro, ajudando a eliminar os parasitas que resistem ao tratamento.
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A malária continua sendo uma das doenças mais perigosas do mundo, afetando milhões de pessoas todos os anos, só em 2023 foram 263 milhões de casos e quase 600 mil mortes, segundo o World Malaria Report 2024 da Organização Mundial da Saúde. Por isso, os resultados apontam para a possibilidade de desenvolver medicamentos mais eficazes e seguros no futuro.
*Estagiária sob supervisão de Luiz Felipe

Ciência e Saúde
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